quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Respeito o Mar


Respeito o mar
Como um branco a polícia
Uma mulher o ginecologista
Ou o agricultor respeita o INSS
Como um astronauta

Ouço seu barulho inicial de cascata semovente
E seu finalmente
Crepitar de espuma
Óleo fervente que frita
Morrendo na areia da praia

Respeito

Olho pro pedacinho de maré
Que oscila
Ora o alcança a água
Ora lhe foge

Quantos copos de líquido ali não cabem
Quantos palmas em concha
Quantas tigelas
E baldes, mil baldes
E mais
Muito mais
Quantas cisternas
Caminhões-pipa
E toda a água infinda desse abismo salobre

Se cada litro de água
Que diviso nesse ponto pequeno
Fosse um grão de areia
Faltariam praias
Faltaria areia

O cão se joga no oceano e nada tranquilo
Nossa prima, a baleia, não vive fora do ambiente aquático
E quantas Joanas não choraram por seus filhos
Tragados ainda crianças por Netuno ou Iemanjá?

Respeito
Como um paraquedista
Como um bandido sua vítima
Respeito o mar

Nenhum comentário: