terça-feira, 30 de junho de 2015

Café da Tarde

Quando bebo café
Não constrinjo os lábios
Beijo a xícara
Em homenagem a essa droga ancestral
Fumo um cigarro
Como se mamasse um seio
Do mesmo jeito que a seiva
Suga da terra os nutrientes
E se
Condoído em um leito
Engulo pílulas e comprimidos
Devoro-os
Tal postos
De uma caça sagrada

O amor
A família
E a medicina
Não passam de humanas criações
A desilusão
O rompimento
A morte
Seus inescapáveis resultados

Como o animal que mata
A flor que brota
E o trovão que relampeja
Eu sou gente
E gente sou
Porque bebo
Porque Fumo
E me entorpeço
E chapo

Aprecio
O aroma do café torrado
E o cheiro nauseante do tabaco