segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Bebedouro



No poço dos tropeiros
Onde os cavalos lavavam dos focinhos
O sangue negro dos índios
Ainda deita
Certa transitoriedade

Em cada pedra de calço
Daquela parte da cidade
Existe uma gota salgada
Que argamassa o pavimento
Em cada bloco
Um chicote
Uma palavra
Uma oração
Um sofrimento

Ladainham o pai nosso
Dez ave marias
Depois de pelar a pele
De um bem que então fugia

No poço dos tropeiros
As pedras ainda se pisam
E se divisam no alumínio
Esfumaçando à rachaduras

Ainda deita
No poço
Um quê de passagem

As pombas diuturnas que infectam sua água
De noite bicam as migalhas
Dos ecos da madrugada

Mas na mocidade da noite
Mulher incorpora o espírito bandeirante
E no meio dos bares
Em cima do tanque

Raspa seus próprios pelos
Como se arranhasse as pernas de sangue

Pura verdade
As putas ainda tem a mesma vaidade

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

do pão ao pó
da pança à pompa
Sancho pensa com sua sancha pança
amança Pancho
sua imensa ânsia
do pó ao pó
que do pão a herança
é valeta-ventre
é voluto-vale
é voraz vingança