segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Ninguém beija com os olhos abertos
Beijar
    É como cheirar

Doce perfume das flores da estação
    O aroma do mato
O cheiro da chuva

Mas beijos também fedem podre
E
    Às vezes
Odor algum possuem

Fungada no pé do ouvido
Goza mais
Que mil beijos de desejo traído

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Patético Artifício

Apenas um desvio eu tenho
Do dogma vegetariano
Desejo insasciável que saliva minha boca

Não provo os peixes
Não gosto de picanha
Minha tentação maldita
É a salgada carne humana

Fibras
Colágeno
Músculos tenros de potros exercitados
Sangue que borbulha nas fendas dos dentes
Baba suculenta de suco que escorre pelo queixo

Na viagem pra Copacabana
Uma coxinha vegana
Na aduana
Me pararam
Com uma costela de barro

Chego a acreditar que o meu vegetarianismo
Não passa do patético artifício
De prolongar a abstinência
Estratégia pra aumentar a sensação do gozo
Quando mastigo com nojo o pescoço de uma novilha

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Todo grande amor
Deixa de ser grande quando acaba

Provei do ópio da tua boca
E na teia dos teus olhos me prendi
Foi meu fim

Agora nem mais sei o que te digo
Mas digo
Insisto

Desiste do amor grande que eu te quero
E deixa meu amor
Que é tão pequeno
Te abraçar