domingo, 24 de agosto de 2014

Aos mortos
A morte nada muda na vida
Que fica presa na pedra como estátua
Roída pelas interpéries sociais
Flutuando
Nem no passado
Nem no presente
Nem - nunca - em nenhum amanhã

Contudo
A morte muda a vida dos vivos
Porque a morte só é morte
de foice e capote
Para os outros
        Que não morreram ainda

Toda morte que existe
É a morte de alguém que não eu

É por isso que há nada mais vívido
Do que o velório
Do seu namorado
Ou mais querido amigo
Ou do seu marido
Ou do colega de trabalho desconhecido


O fim de uma coisa
É só o começo
       De seu contrário
Que
       Se movendo
Se torna operário
Girando a engrenagem do mundo

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