domingo, 8 de junho de 2014

O Medo da Noite

Ah, luz do Sol

Traga-me alívio
Que eu já não consigo
Mais com essa sombra

Vem pelas frestas 
Da minha parede
Com passos de raios

No meio-dia 
Descanses pra sempre 
Sem pressa de pôr-se

Prefiro até a dor da queimadura
Do que essa brancura 
que é tão doentia

Prefiro até a cegueira na vista
Do que essa imprevista 
Torpeza do escuro

Prefiro até as olheiras sem sono 
Do que esse abandono 
Escondido na treva

Ah, luz do sol

Meu arrebol 
A reboque do medo 
Que eu guardo em segredo - o medo da noite

Ah, meu farol
O meu anzol 
Azorrague dos sevos 
Que imolam os servos - que servem a vida