domingo, 26 de janeiro de 2014

Orfanato

Oh, pai que se desgarra do filho
que sai antes mesmo de abotoar as calças
que vai comprar cigarros
que, ao invés de serem fumados, o fumam

As mães nunca se desprendem dos filhos
que lhe pendem das tetas
mordendo-lhes os bicos dos seios cheios de estrias
mães que saíram da Bahia pra nunca mais voltar

Oh, filhos do esperma espremido
bandidos aos herdeiros de nome
banidos das carteiras de identidades
balidos acadêmicos das psicólogas do educandário

Mas o pai que se desgarra do filho
deixa pra trás mais que a sombra ausente vazia
Com uma das mãos agarra o destino
e com a outra nega o auxílio
provocando a tentação
Diabo!
quem deixa à morte seu filho é sagrado
que ao tinhoso previne ou entrega

Deus não é louvado porque largou seu rebento à merda?