terça-feira, 13 de novembro de 2012

Voo da Borboleta

Dizem que do bater
De asas de uma borboleta
Uma borrasca resulta
No outro lado do planeta
         Besteira
Este inseto de vida curta
É retrato reto
         Do romance
         E da sacanagem mais espúria

Raras voltas
Em primaveras únicas
Pousa leve
          Pluma
Em minha palma trêmula
A borboleta multicolorida

Na beleza daquele átimo
Mônada de destreza instável
No ápice do desfrutar
          Medo
Não voe embora
Não me deixe só a memória
De um instante que nem mais sei
Eis que fecho os dedos em pânico
          Gaiola egoísta sem culpa
          Meu desejo não conhece consciência
                    Seja lagarta seja pupa
Esperança chã
          A mariposa escapa
Como tantos amores
          E vai pulando
Entre as flores
          Na flora
Em sua breve existência
          De quarenta e oito horas

Só penso em suas cores
Miolo de larva coxa de pavão
Sua boca
         Nectarina
Cuja poupa
         No canto da boca
Lagrima
Seus olhos
         Dragas
Sua pele de dunas
         De finas areias
                 De lendas e praias
Seu organismo
         Prostado
Derrubado
         Como a estátua de Lênin
                   Em Petrogrado

Voou embora
Meu fim da história
E eu sei
         Sei muito bem
                   Tenho certeza
Aonde este inseto asqueroso
Esta mosca nojenta
Aonde ela vai
         Pra onde ela foje
Passou Antonina
O Oceano Atlântico
O Continente Africano
A península Arábica
Depois da Indonésia
        Lá, nos confins
Nos mais longínquos dos ermos sem fim

A borboleta se foi
Pro outro lado do mundo

Agora
Ela bate suave
Com dolo
         E malícia
Suas asas macias de inseto
Sabendo
         Ao certo
O que me espera

Nenhum comentário: