sexta-feira, 8 de junho de 2012

O Vaticínio


Esparso
Salso farro
Libado
Néctar almo
Das hóstias cruento líquido
Ao mar derramado

Exsurge
Plutônia consorte horrenda
Emerge
O terrível Orco infenso

O sangue ata o mundo dos vivos ao dos mortos

Congregam-se os defuntos
Somam-se sedentos
Para sorver o rubro sangue

Aparecem:

Blanqui e Zapata
O cabra Virgulino
Claire Lacombe
E Bolívar peregrino
Kil-il-sung
Maozedong
Rigoberta Menchú
E Augusto César Sandino
Proudhon e Ludd
Elizabeth Dmitrieff
Fourier e Móises dos escravos do Egito
Zumbi dos Palmares
Gangazumba e Ho Chi Minh
Alessandra Kolontai
Engels e Karl Marx
Vladimir Lênin
Trotski, Anita Garibaldi
Fidel e Ernesto Guevara
Marighella e Patrícia Galvão
Robespierre
Spartacus
E Rosa Luxemburgo

Simulacros
Que se perdem em vento
Ao mero contato

Destroços amontoados
Todos derrotados
Vencidos revolucionários

Ruína sobre ruína
Mortos e fragmentos
Esses nomes do passado
São falecidos
Que não foram sepultados

A tempestade 
O vento empurra
Para longe dos insepultos coitados
É a tempestade do tempo
Que não nos deixa salvá-los

Do meio dos fantasmas
O cego Tirésias conheço
Prediz-me o excelso áugur
Ao longe quase sumindo
Estas tais sabedorias:

“Nem os que já expiraram estarão
A salvo se o inimigo nos vencer.
O sangue que nos une marca o encontro,
Relâmpago de Jove que interrompe
O momentum da História linear.
Devemos sepultar os de Saturno
Mortos, heróis de glórias carregados.
O Já que explode o tempo com Agoras,
Salta através dos ares como um tigre.
Pois não só é o Messias salvador,
Mas também do Anticristo o vencedor”.

Um comentário:

Hugo Simões disse...

muito bom, saudades dos seus poemas e de você meu amigo. um abraço