sexta-feira, 16 de março de 2012

The Passionate Pilgrim, O Peregrino Apaixonado

Shakespeare, tradução de Yuri Campagnaro

XX.


Live with me, and be my love,
And we will all the pleasures prove
That hills and valleys, dales and fields,
And all the craggy mountains yields.

There will we sit upon the rocks,
And see the shepherds feed their flocks,
By shallow rivers, by whose falls
Melodious birds sing madrigals.

There will I make thee a bed of roses,
With a thousand fragrant posies,
A cap of flowers, and a kirtle
Embroider'd all with leaves of myrtle.

A belt of straw and ivy buds,
With coral clasps and amber studs;
And if these pleasures may thee move,
Then live with me and be my love.

Love's Answer

If that the world and love were young,
And truth in every shepherd's tongue,
These pretty pleasures might me move
To live with thee and be thy love.

XX.

Viva comigo e seja meu amor,
E as delícias, prazeres - que sabor.
Essas colinas, várzeas e campinas
E o abismo que no alto se confina.

Lá - sentados, nas rochas relaxados,
E os pastores cevando seus rebanhos.
Pelos riachos, os banhos, quedas tais,
As aves assobiam madrigais.

Lá - teu leito, farei ele de rosas
Com mil ramos de pétalas cheirosas,
Um diadema florido e um vestido
Com murtinho bordado em seu tecido.

Cinto feito de palha e botões de heras,
Com broches de corais e de âmbar haras.
Se todo esse prazer mover-te for,
Então viva comigo, meu amor.

Resposta do Amor

Ah, se jovens o amor e tudo isso
E fiel do pastor o compromisso,
Daí então iria não me opor
A junto a ti viver, ser teu amor.

Soneto 90 - Shakespeare, por Felipe Spack

Fiquei com uma "inveja boa" do Felipe Spack, que traduziu muito bem um soneto de Shakespeare, e terminei uma tradução que tinha começado fazia tempo, do Passionate Pilgrim. Primeiro publico o soneto traduzido pelo Felipe, no próximo post, a minha tradução.


Soneto 90 - Shakespeare

Se vais me odiar, faze-o agora
Que o mundo minha morte anuncia.
Alia-te à Fortuna sem demora;
Não aguardes o fim desta agonia.
Não venhas, quando o meu coração
Estiver são, reabrir suas chagas
Não deixes que à noite de trovão
Se siga uma chuvosa madrugada.
Não esperes o fim, para deixar-me,
Da mesquinha sequencia de minhas dores
Mas faze-o agora, e deixa provar-me
Da fortuna o poder e os horrores.
Então outras formas de dor, amada,
Perante tua perda serão nada.

Then hate me when thou wilt; if ever, now;
Now, while the world is bent my deeds to cross,
Join with the spite of fortune, make me bow,
And do not drop in for an after-loss:
Ah, do not, when my heart hath 'scoped this sorrow,
Come in the rearward of a conquer'd woe;
Give not a windy night a rainy morrow,
To linger out a purposed overthrow.
If thou wilt leave me, do not leave me last,
When other petty griefs have done their spite
But in the onset come; so shall I taste
At first the very worst of fortune's might,
And other strains of woe, which now seem woe,
Compared with loss of thee will not seem so.