domingo, 21 de agosto de 2011

Guarituba aê!


Sarcófago dourado me prometem.
Barraco de madeira compensada
Esmaltado de joias e tesouros.
Boias da Louis Vitton em meio a forte
Borrasca para o errante despojado.
Eis o que me prometem, não importa
A força do meu grito que alto ecoa.
Quando de vãs sofismas estafado
Assentei fundações em meio a mato
Deserto, então mil brutos me impediram.
Eles contra duzentos tão famintos.
Despojados, sem medo nos lançamos
Noutro pátio a deitar casa, pressionando
Para tentar obter nosso direito.
Da afronta se afiança ledo prêmio:
Sarcófago dourado, sapê pintado
De prata e boia célebre em naufrágio.
Digo não às promessas demagógicas,
Às falsas propagandas que engrinaldam
A verdade. Nos resta só lutar.
Bem lembro quando disse a amiga Zilma:
“As pessoas estão muito cansadas
No abrigo eram setenta quando viemos,
As famílias são hoje trinta, só”.
História parecida que se conta
Qual de Gideão tropa se topava
Com os madianitas, em maior estes,
E, dos céus atendendo ordem suprema,
Ordena aos seus que os tímidos se evadam
E que os sorventes d'água ajoelhados
Com eles partam. Restam uns trezentos.
Cercando Madiã, cada guerreiro
Munido de trombeta e tocha em riste,
Afugentaram todos os imigos.
Tal, foram pra calçada os moradores,
Dezessete famílias das setenta.
Mas vitória há de vir, eu te asseguro.
A mesma fé que multiplica o pão,
Aumenta a causa, a luta, e a mensagem.
Antes trezentos que têm fé do que
Trinta mil que se encolhem da labuta.
Vamos lá! Construir o movimento
O movimento popular! A fé,
E não a teoria é o que nos move.
Guarituba aê! Eia Guarituba!
Estamos a fazer e acontecer.