segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Oração-resgate

Trabalhadores, operários

Empregados de todos os lugares

Todos juntos vêm aos milhares

Esfomeados, pagãos e ateus

Pelos campos, estradas e montes

Todos na mesma oração

A um Deus que não Deus lá do céu

Deus de ferro, de fogo

Nem Netuno nem Marte

Deus homem, matéria

De terra, de carne


É esse Deus que invocamos

Nos dirigimos


Agora

Os operários

Farão seus próprios milagres


É difícil pensar no futuro

O eco confunde as palavras

Canto o hino de guerra

Solidário

Mote operário

Enquanto na vitrola burguesa de trás

Roda eternamente

Música pop


Trítonos

Tensão


O futuro não sei

Essas valsas de debutantes

Marchas, réquiens,

Quem sabe?

Hoje, na dodecafonia das falas humanas

Eu busco expressões concretistas

Nos gestos

Nos gritos de ordem


Os ritmos aburguesados

Nos varais da poesia pendurados

Onde secam estruturas

Poeirentas e fedidas


O pseudo-futurismo

Do pós-modernismo

Virou ele mesmo

Seu próprio inimigo


Poetas proletários

Resgatemos as fórmulas caprichosas

Da arte suprema

Elevemos os versos às alturas quentes dos balões incandescentes

Perdidos no firmamento

Salvemos a pátria dos balões!

Por balaços de rimas

Canhões metrificados

E palavras perdidas:

- Revolução

- Partido

- Proletariado


Militei com afinco na eleição

Disputei esse pleito sem vergonha

Em atos enfrentei policiais

Relatos de brutais enfrentamentos

Estudei documentos do partido

Onde no alto, retrato era contido

Do revolucionário Che Guevara

Mil palavras de ordem manifesto

Aos gritos afinados pela luta

Golfe é pra burguesia, o que queremos

Fundo do peito, coração de aço

É cortar com um balaço bolchevique

Rompendo à melodia áspera dos séculos

Ocupar latifúndios concentrados!


Tarefa do artista: revolucionar

O indivíduo

Não é nada

O que o prende

São as correntes alienadas

De uma mente

Na cidade

Das catracas

2 comentários:

Suzan disse...

Gostei especialmente deste Yuri. Pensei muito hj sobre pq no fim das contas fez sentido falar a um Deus que pra mim inexiste... Tarefa do poeta: iluminar. As coisas ficaram muito mais claras agora. Conceito redefinido.
Ah, só fico de pensar melhor a última estrofe.. :D

Bjo!

Hugo Simões disse...

Maravilhoso cara! Talvez seja meu preferido seu agora! hehehe
abraço!