sábado, 15 de maio de 2010

História: a batalha dos aqueus



O fato é que o vácuo

Não é só ausência
- É também aquela siligarota
Que porque tirou três numa provinha
Chora sem parar
- É também direito comercial
O rebus sic stantiburundanga
Do capitalismo
- É também os jogos, troféus de álcool
Playboizinhos neriverdedentados
Feros elitistas

O fato é que o vacuum
Aspira
Chupa para si mil almas perdidas
Almas penadas
Maças tridentadas
De ogros de cabeça e de inteligência

Família - propriedade - lei - governo - religião - dinheiro - escola - comunhão - multa - banco
O pai da empresa obriga o presidente a rezar por crédito e estudar a eucaristia dos pagamentos financeiros


Não aprendeu: crise

Canta-me, ó mídia, do peleio aqueu
A ira tenaz, que lutuosa aos gregos
Na falência lançou mil fortes almas,
Corpos de heróis a cães e abutres pasto.
Lei foi de burga, em rixa ao discordarem
O de homens chefe e o proletariado.
Pregão há que os malquistasse? Os imóveis
Lá em América, infenso letal morbo
No campo ateia. O povo perecia
Só porque - a história não acabou.

A Helena a ser resgatada hoje é um espectro
O anuviador, tinem-lhe do ombro os raios
Na grande nuvem de gás lacrimogênio
No centro de Atenas, agora Palas
É tempo de guerra, aqueus de fina greva!
Às armas! Às armas, rubro peleio!

Com 1 euro, compra-se apito
Com 10 euros, uma bandeira
Com 100 euros, armas de fogo
10.000 euros, um automóvel
1 milhão de euros, uma sede
10 milhões, um tanque de guerra
100 milhões, míssil tomahawk

1 bilhão, uma bomba atômica
1 trilhão: salvar o país

Salvar de quê?

50% dos gregos afirmam:
Sairemos às ruas se necessário
Com pedras nas mãos por nosso salário
Por pão, pelo direito do trabalho
- e os credores? Os bancos? O país?

O orçamento da Grécia será reduzido
Para 30 bilhões nos seguintes três anos,
Com o objetivo de levar o déficit para menos de três por cento do seu PIB - hoje está em treze virgula seis por cento, todos os salários e aposentadorias do setor público sofrerão cortes e serão congelados por três anos

O Imposto sobre Valor Agregado subirá e haverá uma taxação adicional sobre álcool, tabaco e combustível

Gasolina

Inflamável

Que explode

Bombas e mais bombas
Nos bancos, no tribunal
Bombas em Atenas
Convocam greve geral
Bombas de reclame
Sob a bandeira do PAME
Também molotovs
No prédio da prefeitura
Lançam molotovs
Numa agência da receita
Bancos, lojas, ônibus

Pilotos da Força Aérea
Recusam voar

Motoristas de metrô
Recusam andar

Enfermeiras do hospital
Recusam cuidar

O país tem uma enorme dívida pública: duzentos e setenta e três virgula quatro bilhões de euros,
ou cento e quinze por cento do PIB. O governo anterior mascarou os números da situação fiscal e só recentemente veio à tona que o déficit alcança treze virgula seis por cento do PIB
O Conselho Executivo do FMI aprovou empréstimos à Grécia no valor de 30 mil milhões de euros

30 mil


Milhões de euros


Eivados de desespero, esqueceram-se de outrora
Todas as lendas, o começo da civilização
Onde estão os Ulisses, meus aqueus?
Cadê os Aquiles, os Teseus?
E Zeus que tem morada sabe-se lá onde
Cadê Jove, Juno e o Esminteu?
Procuro por todos os lados os Atridas
Será que Poseidon se esconde no mar Egeu?
E Tétis, e Glauco e Cila, audazes Dânaos do passado
E os fabros de Vulcano? Palas e os gládios, espetos tridentados?
Mas sumiram também, onde será que estão eles?
Olvidam-se nos cumes, nas neves, nos palácios?
Procuro e não os encontro, cadê os pários?
Onde estão, não os acho,

Os dos Grajújenas adversários?

Troas, Heitor, Frígios, Príamo, Teucros, Ília, Tróia alguma se equipara nos presentes dias
Se Nestor Pílio já dizia
"Tido em boa conta com melhores que vós
Me dava outrora."
Quando feros trucidavam a feros
Hoje a fera que trucida são os feros algozes lá de cima
No Olimpo, os celícolas olvidavam-se atrás das nuvens
O anuviador dos nossos dias que assopra ventanias
Está montado em bancos de couro
Numa panóplia de terno-e-gravata
Regala-se de opíparos manjares
Verte almo néctar vinicolado
Retém a recompensa dos espólios
Os cetros auricravados
Os carros auricravados
Os falos auricravados

Ó, bravos Dânaos do passado
Onde estão teus revolucionários?

Sessenta e um por cento dos gregos se opõem à decisão do governo de pedir ajuda financeira da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional.

Na segunda-feira, a greve dos estivadores impediu que centenas de turistas voltassem aos seus navios.

Sessenta e sete virgula quatro por cento das mil e quatrocentas pessoas ouvidas pensam que a situação atual pode levar a agitação social.

Tudo aconteceu muito rápido, à margem de uma manifestação que reunia mais de trinta mil pessoas. As testemunhas dizem que cinco jovens encapuzados lançaram os cocktail molotov contra a porta da agência do banco Marfin, na rua Stadio.

Foi a terceira greve geral desde Fevereiro. As manifestações foram engrossando e os sindicatos falavam em duzentas mil pessoas, que entoavam palavras de ordem de recusa ao programa de austeridade a ser discutido no parlamento.

"Ladrões, ladrões!" gritam milhares de manifestantes diante do Parlamento em Atenas, nos diversos protestos que abalaram a Grécia nas últimas semanas. Para a população, os culpados pelas mazelas do país são os políticos.


Berra a desesperada nação grajújena:

“Comunista! Comunista!
Se entre imortais, compa, te fui profícua
Por dito e ação, preenche-me este voto:
Orna a meu povo a vida, já que é breve;
Que o rei possante o assuberbou de insultos
E retém-lhe o só prêmio. Incendeia-o,
Ó revoltado; aos Dânaos dá vitória,
Ao proletariado.”

Do imo geme por sua voz a da História o do futuro construtor:

“A mim o tomo
Do certíssimo aceno histórico
Selo à minha promessa irrevogável”

Então franze as cerúleas sobrancelhas,
Da cabeça imortal sacode a coma,
E estremece abalado o imenso Olimpo

A morada dos deuses debanda nos mercados financeiros
A vanguarda popular se coloca na encruzilhada
O mito dos gregos morreu. O mundo enfim compreende:
A verdadeira mitologia é não acreditar nas classes
As deidades do Olimpo existem, atrás das nuvens de dinheiro
Os burgueses se deliciam em banquetes, nos palácios
O tempo está claro, os Titãs míticos morreram
O proletariado toma consciência de si mesmo
Debandam do alcácer os do povo voradores
Ressurge das cinzas do fim da história
O recomeço do futuro
A sociedade do porvir
A emancipação popular
A revolução proletária
O final da pré-história humana
O fim de toda alienação

A sociedade socialista



Um comentário:

Hugo Simões disse...

muito bom yuri!
porra, bom pra caralho!
:D
parabéns!