quarta-feira, 28 de abril de 2010

Urbanoturna


Na égide daquela noite perversa,
Você exalando sexo pelos poros
Masturba-se com versos sudorosos
De mil rimas pontiagudas que gotejam.

Na artrite dos gestos, o sufocante
lençol sorvia o peso do suor.
Ossada, a cada farol de automóvel,
Treme de temor adiado do sol.

Que tremenda correria das horas!
Caduco sono desanoitecido,
Humorácido assim vinicolado
De beijos mentolados, de cigarros.
Fera contrição de publicidade,
Fero júbilo de mediocridade.
Ninguém pode entrar no quarto esta noite.
Mas a sensação... Contrastes de merda!

Mentindo pra todo mundo a verdade
extática secreta de prazer.
Secreção sintética desse amor.
Carícia de entreolhares de lascívia,
Déia de fluidos, fino fio, navalhas,
Cheio nosso lunarcerúleo lume.

Nume que frechas veludadas lança
Nos esternos dos de amor tumescidos,
Atira no ocular da humanidade!
Vida minha, na nossa se resolva,
Deidade alguma vai botar defeito.

2 comentários:

Suzan disse...

Pense numa mistura de Augusto dos Anjos e Hilda Hilst... sugestivo, não?
Pois eu ouso erguer uma hipótese: talvez eles não tivessem feito melhor.

Beijos!

Carla Abrão disse...

Você consegue trrazer referências antigas e ainda sim fazer algo atual e realmente novo.
belo belo belo!