domingo, 14 de março de 2010

Conta-gota

Gota um
Gota dois
Monótomo metrônomo
E o eco que vem depois

Gota um
Gota mil
Vai-se enchendo o poço
Que um dia já foi vazio

Gota gota
Perdi a conta
O conta-gotas
Que media meu tempo
A água que caia compassada
Num largo lento
Águas passadas

Agora que as gotas que contara
Não significam mais planejamento
Será que perder a conta foi a perda do tempo?

O número foi-se embora em meu pensamento
Mas o poço vai-se enchendo
Até o dia do afogamento
Não perdi a gota, perdi foi tempo

Agora que toda gota caiu em desalento
Eu espero o dia todo
Pela gota de cimento
Pela terra de fermento
Pelo fim da gota
Pelo fim dos tempos

Um comentário:

Hugo Simões disse...

espero,
desespero,
espero,
desespero,
espero,
desespero
.
.
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