domingo, 14 de março de 2010

Conta-gota

Gota um
Gota dois
Monótomo metrônomo
E o eco que vem depois

Gota um
Gota mil
Vai-se enchendo o poço
Que um dia já foi vazio

Gota gota
Perdi a conta
O conta-gotas
Que media meu tempo
A água que caia compassada
Num largo lento
Águas passadas

Agora que as gotas que contara
Não significam mais planejamento
Será que perder a conta foi a perda do tempo?

O número foi-se embora em meu pensamento
Mas o poço vai-se enchendo
Até o dia do afogamento
Não perdi a gota, perdi foi tempo

Agora que toda gota caiu em desalento
Eu espero o dia todo
Pela gota de cimento
Pela terra de fermento
Pelo fim da gota
Pelo fim dos tempos

sexta-feira, 5 de março de 2010

Acalantarei

sinto sono
grande sono de tudo
sono do mundo
bocejo fundo
cabeça pesada

é o sono da noite
que acorda durante o dia
que arrasta a madrugada
em grande melancolia
pesadelo que confunde
é a vida
é a vida

sinto sono
grande sono de dia
queria dormir toda a tarde
toda manhã
ter sonhos em plena consciência
olho caindo
cabeça pesada
linhas se desvaindo

é o sono de sentir medo
é o sonho de estar ali
é o medo de dormir
é o sentir
é o pisquei já passou
já acordei
devaneios do meio-dia
pesadelos
passam pela janela
passam pela rua
passam pelos entornos da Santos Andrade

sonhos nefastos de promiscuidade
pesadelos de terno-e-gravata
olho caindo
cabeça pesada
basta de vida
quero sonhar