terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Re-Resposta ao Hugo (por favor camarada, veja aí, talvez dê pra terminar)

http://rotineiroambulante.blogspot.com/

quero não me ver mais,
poder acordar e saber que inexisto
mergulhar em mares sem sais
e queimar tudo que visto
e queimar tudo que assisto
e queimar tudo que insisto


se ao menos tivesse eu visto
o que esse fogo fátuo traz
se queimasse esse misto
de pedras e gelo e sais
se tivesse me dito
queimado mais
queimado tudo que existo
se eu resistisse à amnésia, à apnéia, ao fogaréu
haveria de queimar tudo que é céu?
haveria queimado o que resisto?

ou afogaria minh'alma em papel
acalmando o incêndio de riscos
tortuosos que incriminam o réu
que pôs fogo nas lendas que invisto?
o querer é não me ver mais,
esquecer meu coração cisto,
preamar que engole e não traz
o amor que me era benquisto.
mas se o fogo consumirá o que é céu
queimará também o que é chão
não é esse o desejo infiel?
não é isso que implora a razão?


talvez essas chamas chamem por Cristo
e incendeiem os campos dos céus.
que sou eu? sou um cisco,
sou um confessso revel
que quebra os princípios,
sou o que não merece, ímpio,
que está destinado ao inferno, ao abismo,
mas não entende nada disto
o que consome esse fausto fogo eterno?
o que consome esse fátuo fogo interno?



Um comentário:

O Santo Forte disse...

muito bom esse poema quatro mãos