terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Transições

Achava que estava
Num vórtice insano
Num vôo sem asa
Num sonho cigano

Mas era tudo mentira
Tudo fumaça entre os dedos
Tremedeira, fome, medo
Era tudo mentira
Era tudo segredo

Foi bom enquanto durou
Boa noite agora, durma bem
Mas nem durou tanto assim
Durou para mim
Tanto faz
Minhas intensões são banais
Como as mesmas de sempre
Como assim?
Tudo bem?
Tudo vai
Nada vem
Amanhã, mês que vem
Mês que vem
Mês que vem

Por quantas São Paulos
Litorais longínquos
Feridas e calos
Cearás infindos mais?

São sonhos banais
São sombras de galhos
Segredos, silêncio
Semanas e semanas
São sonhos de galhos
Sombras banais
Desejos de bacanais
Semanas - frangalhos
São Paulos
Semanas

domingo, 17 de janeiro de 2010

Eu tenho muito medo do meu medo
E temer o medo é o próprio medo

Tudo errado
Faço tudo errado
Como um erro involuntário
Uma maldição

Chove, nuvem de pavor
Com raios e trovões
Com sujeiras e canivetes
São os pingos do ar condicionado
Que precipita a sujeira de mil ácaros
Em cima da minha cabeça

Não tenho medo da morte
Nem tenho medo da vida
Só não quero me olhar sozinho
No retrato do cemitério
No espelho do meu caminho
No desdém de cada vizinho
No silêncio do monastério

Prefiro acabar com o mistério:
Tenho muito medo da solidão!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Carmim

Sou o mesmo que era antes
Exceto por esse sabor

Baton da cor do vinho
Vinho sabor baton

Apenas sei que é roxa
Toda essa confusão
De mordidas e palavrões
Gestos e cigarros
De perguntas e sensações
Salivas e escarros

Sou o mesmo que sempre fui
Só que agora embriagado
Bebido e tragado
Sou eu mesmo devorado

domingo, 3 de janeiro de 2010

A Rua da Amargura

Eu nunca me arrependi
Nunca me conformei ou tomei cuidados
Apenas não olhei pros dois lados
Antes de atravessá-la