terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Balada da Espera

Quilômetros e léguas, longas milhas,

Mesmo sem entender bem as medidas,

Sei que estamos além do ponto máximo

Donde o braço alcança, local exato

Que nos impede uma oportunidade

De uma proximidade, de um abraço.


Cada dia parece a eternidade,

Como Shakespeare dissera certa via,

As horas são somadas aos minutos,

Cada qual, nessa ausência, se assemelha:

Um minuto – é como uma lua inteira.


A generosidade concentrada,

Entretanto, – tesouros que retemos,

Segredos do poder da humanidade –

Permitem que se rompa a regra dada,

Que sejamos capazes té de extremos:

Voamos, apesar da gravidade.


Assim também sucede a nós, amantes,

Dotados dos corretos instrumentos,

Atracados a nós na loja à crédito,

Que estupendo! A boutique nos garante:

Quando a sós desejardes um momento,

O timbre por satélite anda inédito -

Qualquer palavra que um pronunciar

Chega ao outro através do celular.


E as cartas que revelam os segredos

Ocultos no mais íntimo desejo,

Agora não dependem do correio,

Chegam irresponsáveis, muito cedo,

Mensagens instantâneas e gracejos

Anunciam por entre sons tão feios.


Mas ainda com todos os objetos,

Não consigo me dar por satisfeito,

Dos dias que estou só restam dejetos,

Não posso desfazer o que foi feito.

O amor universal que manifesto

Exige que se possa dar um jeito

De ver-te, ouvir, sentir na pele o gesto,

E um modo apenas de enxergar espreito,

O ato mais absoluto então atesto:


Fecho os olhos e abro o peito,

Eu vejo um mundo perfeito,

O modo com que teus dedos

Se enrolam nos meus cabelos,

Teus brilhantes olhos negros,

Tuas mãos e nossos beijos,

Eu vejo um mundo perfeito.


Ilusão. Não passou de um devaneio.

Aqui me encontro preso em cinza nuvem.

Té da minha vontade estou alheio.

E a dor e a solidão que dentro vivem

Tomam forma maior que o sentimento.


As imagens formadas na memória

São nada mais que história, são sinais,

São marcas da saudade, são mensagens,

Paisagens, fragmentos, são vitrais,

São nada. Sofrimento e nada mais.


Mas no canto da boca em meus sorrisos

Ainda restam resquícios de teus beijos,

Restam desejos, falta-me juízo.

E o tempo toma forma de poesia.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Brisa

Posto mais um poema do grande caramada Lucas Perucci de Londrina, companheiro de militância e poesia

Brisa

uma Brisa leve,
lambe a pele,
perscruta cabelos,
oxigena lábios.

se condensa
condena
e passa.

- toda Brisa esvai e vaza! -
voz da Brasa
quase Cinza.

Mas,
sugo sopros
de outras Brisas,

e como sou
também de Fogo,
me incendeio de novo

sábado, 6 de novembro de 2010

Quando a humanidade inventou o Globo Terrestre

Vou seguir o caminho dos poetas:
Farei de minha coluna linda flauta
E das tripas farei uma guitarra
Em cálice meu crânio se fará!
Estranharei qualquer essência humana
Daqueles miradores tão arcaicos
Que achavam que as estrelas eram furos
Num grande véu tecido pelos deuses.

Os antigos olhavam o horizonte
Mais se andava, mas nunca se chegava
A lugar nenhum. Linha reta avante.
Talvez nalgum lugar um precipício,
Nas lendas de lugares tão distantes.
Mas a vela e a pólvora fizeram
Conquistas para além do imaginável.
A humanidade deu a grande volta
Em todo mar e terra que se pôde.
Não há lugar tão longe não passado,
Nem terra não pisada, e também água
Alguma sem se navegar.

Então, chegou o momento insuportável
Em que o mundo virou mais uma coisa,
A terra virou outra, a natureza,
Estranha, dominada pelos homens.
Tudo se sabia.
Era conhecido.
Derrotado o dragão,
Inimigo vencido.

Vejamos, pois, esse objeto estranho
E então fizeram máquinas do espaço
A fim de sentar no assento estelar
Para enfim admirar o que ninguém jamais viu.

Ao primeiro a chegar assim tão alto
Perguntaram milhares, encantados,
Como ela é, me diga, aí de cima?
É deslumbrante? Incrível? Será linda?

E respondeu o cosmonauta Yuri,
Assim, materialisticamente:

- A Terra é azul e eu não vi nenhum Deus!

A bordo do Vostok
O camarada russo
Despencou de além da órbita
E chegou onde nenhum chegara
Ele levou a nação proletária
Às alturas dos livros de história

O momento eternizou-se
Era a separação mais completa
Do ser humano com o mundo
Sua terra
Por meio da guerra
Conquistada no fogo da foice

O nome Terra, o nome Mundo, o nome Planeta
Mas só depois de o ver de longe é que o chamamos:
Globo
Esfera

Conquistar a Lua é estender a mão àquilo que se vê todo dia
Colegas americanos
Que covardia
Mais uma mercadoria
Vitória de verdade é romper com a monotonia da raça
Que só tem uma natureza:
A de sempre quebrar sua própria mania
Negar em constante a dinastia dos genes
E um filho de camponês foi o primeiro
Foi o único
A admirar a imagem
Que hoje rezam nos banners os pagens da gente

Planeta dos macacos

Globo dos seres humanos

Viva a nação proletária
Invertendo o conto dos anos

A terra foi inventada
Por um camponês que sonhou
Por uma bandeira vermelha
Que na história pregou uma frase
Com o pesado martelo da classe

Nesse momento nos vimos
Destinos estranhos de nós
Nossa casa nos foi alienada
Somos o Outro
Perdemos a voz
Façamos foguetes
Marchas, rondós
Pra saudar a conquista
Cantar a desgraça
A natureza morreu
E o mundo lacrimeja
Humanidade nasceu
Voe e veja!

Aquele mar e terra dominado
E as caras molduradas no redondo
Composturas estelares e o éter
Humanidades puras repletas
Purpurinas modernistas
Do futuro proleta-planeta

- A gente é vermelha

- A terra é azul




quinta-feira, 28 de outubro de 2010

a areia que se espalha

nessa ampulheta

mandala de zinco

na areia da praia

três, quatro, cinco

segundos que caem

grãos depositam

no fundo do vale

no vale de vidro

num fluxo montanha

de areia da praia

vidro torna areia

que se encerra na tomada

sábado, 18 de setembro de 2010

Depoimento

http://www.youtube.com/watch?v=hg80VCWmq-Q&feature=channel



A vida tão pesada no interior,

Sofrida de pegar na enxada. Dor.
Mão calejada, dolorida mão,
Suor se troca por devido pão.

Pastagens até onde a vista alcança,
Pardais na lua mansa que foi cheia.
Riachos donde o banho se tomava,
Vagalumes da noite pensativa.

Que saudades dos tempos de meus pais,
Da roça era colheita do amanhã.

Foi sem veneno e hoje sem comida
Foi sem direito e hoje é sem terra
Caiu na favela
No barranco, na quebrada
Cai a chuva, cai a pedra
Cai na vida, cai na estrada
Era do campo e hoje é da cidade
Era feliz, e hoje está na vila

Ninguém mora em barraco porque gosta.
Dormir sem-teto não-é pra qualquer um.
A casa da família não se aposta.
A nossa luta é luta em comum.
Quando chove é bueiro, esgoto em casa,
Erguemos essa rua, esses barracos,
Estamos há dez anos nessa vida,
Eu diria pra eles que eles nunca
Sofreram de verdade nessa vida,
Não sabem o que é acordar e não saber
Onde botar seus filhos e os criar,
Criar dois filhos na miséria, pobreza.
Veio de berço essa riqueza deles!
Por isso que eles falam tudo isso!
Se viessem um dia aqui, dormir,
Eles iam saber como é que é.

Despejo, desespero, mais despejo
Desejo de parar, abandonar,
Desterro que tirou de nós a fala,
Violência de jeito, que desgraça.
Medo de erguer de volta a dignidade,
E de levar mais uma na cabeça.
É tiro de raspão, tiro certeiro,
Na lavoura e dentro da cidade,
É um que cai, desiste, outro que foge,
Outro que é morto (pá!) assassinado.
E tantos que no mundo andam drogados,
Perdidos na doença do marasmo.

O problema inda está lá, mas estou viva.
Tem que ser um por outro e ser unidos
Para ver se consegue alguma coisa.
E correr lado a lado com o povo
Tem que ser todo dia, porque o povo
Não existe de quatro em quatro anos
.

Não saí dessa terra, fui expulsa...

Não vim morar na vila, fui jogada...

Não fiz uma carreira, fui lançada...

E se sou baderneira, militante,
E socialista e revolucionária,
Isso é porque não fiz escolha alguma
Na minha vida! Só fui obrigada,
Mandada pelo pai, pelo marido!
Pela palavra suja dessa escória!

Não escolhi ser hoje militante,
Eu fui convocada
Por exigência da História!


segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Oração-resgate

Trabalhadores, operários

Empregados de todos os lugares

Todos juntos vêm aos milhares

Esfomeados, pagãos e ateus

Pelos campos, estradas e montes

Todos na mesma oração

A um Deus que não Deus lá do céu

Deus de ferro, de fogo

Nem Netuno nem Marte

Deus homem, matéria

De terra, de carne


É esse Deus que invocamos

Nos dirigimos


Agora

Os operários

Farão seus próprios milagres


É difícil pensar no futuro

O eco confunde as palavras

Canto o hino de guerra

Solidário

Mote operário

Enquanto na vitrola burguesa de trás

Roda eternamente

Música pop


Trítonos

Tensão


O futuro não sei

Essas valsas de debutantes

Marchas, réquiens,

Quem sabe?

Hoje, na dodecafonia das falas humanas

Eu busco expressões concretistas

Nos gestos

Nos gritos de ordem


Os ritmos aburguesados

Nos varais da poesia pendurados

Onde secam estruturas

Poeirentas e fedidas


O pseudo-futurismo

Do pós-modernismo

Virou ele mesmo

Seu próprio inimigo


Poetas proletários

Resgatemos as fórmulas caprichosas

Da arte suprema

Elevemos os versos às alturas quentes dos balões incandescentes

Perdidos no firmamento

Salvemos a pátria dos balões!

Por balaços de rimas

Canhões metrificados

E palavras perdidas:

- Revolução

- Partido

- Proletariado


Militei com afinco na eleição

Disputei esse pleito sem vergonha

Em atos enfrentei policiais

Relatos de brutais enfrentamentos

Estudei documentos do partido

Onde no alto, retrato era contido

Do revolucionário Che Guevara

Mil palavras de ordem manifesto

Aos gritos afinados pela luta

Golfe é pra burguesia, o que queremos

Fundo do peito, coração de aço

É cortar com um balaço bolchevique

Rompendo à melodia áspera dos séculos

Ocupar latifúndios concentrados!


Tarefa do artista: revolucionar

O indivíduo

Não é nada

O que o prende

São as correntes alienadas

De uma mente

Na cidade

Das catracas

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Engodo

Posto poema do camarada Lucas Perucci, de Londrina, o qual nem sabia que era poeta e escondia grande talento, peço desculpas pela demora em postar, a formatação do blogger atrapalhou um pouco.

grande abraço,


ENGODO

Vê mundo detrás dos olhos frios?
Aqueles cínicos! da tragédia-comentada-comportada
burgo
_____semblante
_____________gélido
__________________técnico
________________________burocrata
_______________________________Estadocístico
________________________________________matemático!
Toca o disfarce, cheira a entranha,
É engodo!
Distribua a renda,
Desenvolva o povo,
Aumente o Estado,
Reduza o Privado.
É engodo!
Luta!
Agita!
Jorra!
Suado-sangue novo





quarta-feira, 21 de julho de 2010

O Peregrino Apaixonado, The Passionate Pilgrim 13 de Shakespeare

Olá leitores,
Num post antigo apresentei uma tradução de um poema de Shakespeare, do Passionate Pilgrim. Agora refiz, melhorei, a tradução, espero que aproveitem (sempre acham o blog no google por causa desse poema).

13


Beauty is but a vain and doubtful good,

A shining gloss that vadeth suddenly,

A flower that dies when first it ’gins to bud,

A brittle glass that’s broken presently;

__A doubtful good, a gloss, a glass, a flower;

__Lost, vaded, broken, dead within an hour.



And as goods lost are seld or never found,

As vaded gloss no rubbing will refresh,

As flowers dead lie withered on the ground,

As broken glass no cement can redress:

__So beauty blemished once, for ever lost,

__In spite of physic, painting, pain and cost.


13


O Belo, não mais que bem tão vão,

Brilho ofuscado de repente,

Uma flor que se esvai quando inda é botão,

Vidro quebrado no presente;

__Um dúbio bem, um brilho, um vidro, a flora;

__Perda, fusco, caco, morto em uma hora.

E qual perda é vendida, nunca achada,

Qual brilho fusco lustre não refresca,

Qual flor que cai sem vida ao chão murchada,

Qual vidro em caco nem cimento mescla:

__Beleza que manchada, errada sina,

__Embora a arte, dor, custo e medicina.


segunda-feira, 19 de julho de 2010

Ao Camarada Valmor, nosso senador!

Coração, bandeira,

Também pé, vermelhos.

Pela vida inteira
Caminhou parelho
Co'a vida primeira,
Enxergou no espelho
Os ricos burgueses
E também os pobres,
E sentiu por estes
Sentimento nobre,
Desespero, às vezes.

Aquele que cobre
De muitos cuidados
Todos os parceiros
Que estão do seu lado,
Caminha certeiro,
Refaz o legado
Destes companheiros:
Leon, Vladimir
Ernesto Guevara,
Rosa, Ho Chi Minh,
Fidel, Victor Jara,
Todos que hão de vir,
A lista não pára.

Do sul mas do norte,
Saiu coerente
Do partido forte,
Agora presente
Num de outro porte,
Muito diferente -
Partido do Sol,
Socialismo vivo,
Liberdade em prol
Do pobre cativo.
Ele entrou no PSOL,
Foi no alternativo.

Tudo que aprendera
Em sua militância,
Luta verdadeira,
Longe da ganância,
Agora prendera-se
Na asa da mudança.

Na luta constante,
Veio do Centro Che,
Sua vinda garante
Um grupo que lê
E que é militante.


Ele entende e crê,

Do fundo do peito,
É veterinário,
E cuida de um jeito
Grande, humanitário,
Com tal sentimento
Revolucionário
Dos bichos, dos homens,
Mulheres, amigos.

Do dinheiro os fortes
São seus inimigos.
Lembra-se dos nomes,
Sabe dos perigos.

Ele é a unidade,
Ao lado de Plínio,
Tem muita vontade,
Político exímio.
A desigualdade,
Sem ser retilínio
Em seu pensamento,
Sabe onde encontrá-la.

Chegou o momento!
Já vamos saudá-la,
Potente fermento,
Gritá-la, Chamá-la,
Jogar pelo vento
Cantá-la, aclamá-la
Unir o cimento,
Lançá-la, incitá-la
Chegou o momento!
Vamos exaltá-la!

A candidatura
Do caro Valmor,
Com muita ternura,
Também com amor,
No PSOL fulgura
Um grande valor.

Valmor Venturini
O meu senador!

domingo, 20 de junho de 2010

Fotofantasia

A fotografia é mais um tipo
De fantasia
As imagens somente linhas
Num papel

Atrás dessa tela, desse véu
A experiência do Real se Descortina?

Não há nada atrás dos negativos
Do jornal
Apenas fotos penduradas sob luz negra
Num varal

A foto revelada nos revela o mais Real:
Não há realidade atrás da imagem
Moldura fantástica é a vida
E nossa inteligência tira fotos coloridas
Dos sentidos como tal

Memória de um instante que se passa
Mas fica no registro fotoquímico
Fotoqueimadura nos meus olhos
As lentes retém o um só momento
Mas a mente fantasia
Sobre a imagem daquele dia
Que nunca mais existe
Mas persiste na fotografia

E a pose para a foto
"Olha o passarinho"
Voou para bem longe
Posamos mesmo assim
Diante dos pássaros, dos corvos, dos urubus
Posamos diante da lente
De cada olho a piscar no flash
Posamos para fotos sociais

A fotografia vale mais
Que uma palavra mal dita
Que um filme de tanto-faz
Maldita impressão fotoquímica
Que anuncia o passado contumaz

É o Real que nos escapa
A experiência imaginária
A fantasia imagética como tal
A estética

Foto-Fato-Fatal

Hermética

Foto-Fonte-Final

Patética

Foto-Fito-Fetal

Pisquei. Fecho os olhos na hora
Exata de me questionar
A foto é o sintoma daquilo
Que deixei escapar

Fotografia Real

sábado, 15 de maio de 2010

História: a batalha dos aqueus



O fato é que o vácuo

Não é só ausência
- É também aquela siligarota
Que porque tirou três numa provinha
Chora sem parar
- É também direito comercial
O rebus sic stantiburundanga
Do capitalismo
- É também os jogos, troféus de álcool
Playboizinhos neriverdedentados
Feros elitistas

O fato é que o vacuum
Aspira
Chupa para si mil almas perdidas
Almas penadas
Maças tridentadas
De ogros de cabeça e de inteligência

Família - propriedade - lei - governo - religião - dinheiro - escola - comunhão - multa - banco
O pai da empresa obriga o presidente a rezar por crédito e estudar a eucaristia dos pagamentos financeiros


Não aprendeu: crise

Canta-me, ó mídia, do peleio aqueu
A ira tenaz, que lutuosa aos gregos
Na falência lançou mil fortes almas,
Corpos de heróis a cães e abutres pasto.
Lei foi de burga, em rixa ao discordarem
O de homens chefe e o proletariado.
Pregão há que os malquistasse? Os imóveis
Lá em América, infenso letal morbo
No campo ateia. O povo perecia
Só porque - a história não acabou.

A Helena a ser resgatada hoje é um espectro
O anuviador, tinem-lhe do ombro os raios
Na grande nuvem de gás lacrimogênio
No centro de Atenas, agora Palas
É tempo de guerra, aqueus de fina greva!
Às armas! Às armas, rubro peleio!

Com 1 euro, compra-se apito
Com 10 euros, uma bandeira
Com 100 euros, armas de fogo
10.000 euros, um automóvel
1 milhão de euros, uma sede
10 milhões, um tanque de guerra
100 milhões, míssil tomahawk

1 bilhão, uma bomba atômica
1 trilhão: salvar o país

Salvar de quê?

50% dos gregos afirmam:
Sairemos às ruas se necessário
Com pedras nas mãos por nosso salário
Por pão, pelo direito do trabalho
- e os credores? Os bancos? O país?

O orçamento da Grécia será reduzido
Para 30 bilhões nos seguintes três anos,
Com o objetivo de levar o déficit para menos de três por cento do seu PIB - hoje está em treze virgula seis por cento, todos os salários e aposentadorias do setor público sofrerão cortes e serão congelados por três anos

O Imposto sobre Valor Agregado subirá e haverá uma taxação adicional sobre álcool, tabaco e combustível

Gasolina

Inflamável

Que explode

Bombas e mais bombas
Nos bancos, no tribunal
Bombas em Atenas
Convocam greve geral
Bombas de reclame
Sob a bandeira do PAME
Também molotovs
No prédio da prefeitura
Lançam molotovs
Numa agência da receita
Bancos, lojas, ônibus

Pilotos da Força Aérea
Recusam voar

Motoristas de metrô
Recusam andar

Enfermeiras do hospital
Recusam cuidar

O país tem uma enorme dívida pública: duzentos e setenta e três virgula quatro bilhões de euros,
ou cento e quinze por cento do PIB. O governo anterior mascarou os números da situação fiscal e só recentemente veio à tona que o déficit alcança treze virgula seis por cento do PIB
O Conselho Executivo do FMI aprovou empréstimos à Grécia no valor de 30 mil milhões de euros

30 mil


Milhões de euros


Eivados de desespero, esqueceram-se de outrora
Todas as lendas, o começo da civilização
Onde estão os Ulisses, meus aqueus?
Cadê os Aquiles, os Teseus?
E Zeus que tem morada sabe-se lá onde
Cadê Jove, Juno e o Esminteu?
Procuro por todos os lados os Atridas
Será que Poseidon se esconde no mar Egeu?
E Tétis, e Glauco e Cila, audazes Dânaos do passado
E os fabros de Vulcano? Palas e os gládios, espetos tridentados?
Mas sumiram também, onde será que estão eles?
Olvidam-se nos cumes, nas neves, nos palácios?
Procuro e não os encontro, cadê os pários?
Onde estão, não os acho,

Os dos Grajújenas adversários?

Troas, Heitor, Frígios, Príamo, Teucros, Ília, Tróia alguma se equipara nos presentes dias
Se Nestor Pílio já dizia
"Tido em boa conta com melhores que vós
Me dava outrora."
Quando feros trucidavam a feros
Hoje a fera que trucida são os feros algozes lá de cima
No Olimpo, os celícolas olvidavam-se atrás das nuvens
O anuviador dos nossos dias que assopra ventanias
Está montado em bancos de couro
Numa panóplia de terno-e-gravata
Regala-se de opíparos manjares
Verte almo néctar vinicolado
Retém a recompensa dos espólios
Os cetros auricravados
Os carros auricravados
Os falos auricravados

Ó, bravos Dânaos do passado
Onde estão teus revolucionários?

Sessenta e um por cento dos gregos se opõem à decisão do governo de pedir ajuda financeira da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional.

Na segunda-feira, a greve dos estivadores impediu que centenas de turistas voltassem aos seus navios.

Sessenta e sete virgula quatro por cento das mil e quatrocentas pessoas ouvidas pensam que a situação atual pode levar a agitação social.

Tudo aconteceu muito rápido, à margem de uma manifestação que reunia mais de trinta mil pessoas. As testemunhas dizem que cinco jovens encapuzados lançaram os cocktail molotov contra a porta da agência do banco Marfin, na rua Stadio.

Foi a terceira greve geral desde Fevereiro. As manifestações foram engrossando e os sindicatos falavam em duzentas mil pessoas, que entoavam palavras de ordem de recusa ao programa de austeridade a ser discutido no parlamento.

"Ladrões, ladrões!" gritam milhares de manifestantes diante do Parlamento em Atenas, nos diversos protestos que abalaram a Grécia nas últimas semanas. Para a população, os culpados pelas mazelas do país são os políticos.


Berra a desesperada nação grajújena:

“Comunista! Comunista!
Se entre imortais, compa, te fui profícua
Por dito e ação, preenche-me este voto:
Orna a meu povo a vida, já que é breve;
Que o rei possante o assuberbou de insultos
E retém-lhe o só prêmio. Incendeia-o,
Ó revoltado; aos Dânaos dá vitória,
Ao proletariado.”

Do imo geme por sua voz a da História o do futuro construtor:

“A mim o tomo
Do certíssimo aceno histórico
Selo à minha promessa irrevogável”

Então franze as cerúleas sobrancelhas,
Da cabeça imortal sacode a coma,
E estremece abalado o imenso Olimpo

A morada dos deuses debanda nos mercados financeiros
A vanguarda popular se coloca na encruzilhada
O mito dos gregos morreu. O mundo enfim compreende:
A verdadeira mitologia é não acreditar nas classes
As deidades do Olimpo existem, atrás das nuvens de dinheiro
Os burgueses se deliciam em banquetes, nos palácios
O tempo está claro, os Titãs míticos morreram
O proletariado toma consciência de si mesmo
Debandam do alcácer os do povo voradores
Ressurge das cinzas do fim da história
O recomeço do futuro
A sociedade do porvir
A emancipação popular
A revolução proletária
O final da pré-história humana
O fim de toda alienação

A sociedade socialista



quarta-feira, 28 de abril de 2010

Urbanoturna


Na égide daquela noite perversa,
Você exalando sexo pelos poros
Masturba-se com versos sudorosos
De mil rimas pontiagudas que gotejam.

Na artrite dos gestos, o sufocante
lençol sorvia o peso do suor.
Ossada, a cada farol de automóvel,
Treme de temor adiado do sol.

Que tremenda correria das horas!
Caduco sono desanoitecido,
Humorácido assim vinicolado
De beijos mentolados, de cigarros.
Fera contrição de publicidade,
Fero júbilo de mediocridade.
Ninguém pode entrar no quarto esta noite.
Mas a sensação... Contrastes de merda!

Mentindo pra todo mundo a verdade
extática secreta de prazer.
Secreção sintética desse amor.
Carícia de entreolhares de lascívia,
Déia de fluidos, fino fio, navalhas,
Cheio nosso lunarcerúleo lume.

Nume que frechas veludadas lança
Nos esternos dos de amor tumescidos,
Atira no ocular da humanidade!
Vida minha, na nossa se resolva,
Deidade alguma vai botar defeito.

terça-feira, 20 de abril de 2010

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Campos

Abandona a falsa solução individual
Larga da vida-a-vida, do dia-a-dia
Solta as mãos
Mas bate a cabeça no muro
Coloca as mão nesse galo
Não foi de Eva o pecado
- Ele é nosso
(primeira pessoa
do plural)
Pessoa do nada, pessoa normal
Pessoa penada - deserto
José Paulo Paes já dizia:
Mataram a poesia
Clamava que não havia
Sido ele o homicida
Mas eu já sabia

A cova
Absolutamente
Não está nada vazia

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Alma

Aqueles versos antigos de ânsia
Ressignificarei
Na mais podre - e farta - rutilância
A alma humana cai sobre si mesma

Quanta miséria
Mas a pior miséria é o abismo da ignorância
O que um dia já foi esperança
Agora é apenas espera
Espera da morte que vem

Aqueles versos de nenhum vintém
Quem os daria importância?
Se a alma é o abismo do homem
A lama é última instância

Recordas da tua infância, verme?
Lembra-te que a lembrança
É o esquecimento do instante de agora
E que a chuva que cai la fora
É só uma etapa da merda que és

Sim, todos sois merda
E nenhum perfume ou fragrância
Será forte o bastante para ocultar
Que a alma humana é ganância

Com pernas tortas e defeituosas
A raça humana avança
E temendo por sua própria segurança - de uns poucos
Começou sua terrível vigilância

- Ei, tu, misto de ser não-ser!
Misto de sancho e pança
Mais de um milhão de crianças
Mortas sem Deus nem Lei
Não é só por implicância
A alma humana é o vômito
O excremento total

A alma humana é um abismo
É a miserável sem-importância
A alma é o abismo, é a lama
A alma perdida é humana

Anatomia Garoa

Meus olhos estão secos
Como as folhas que caem
Pisadas por mil sapatos
E saltos agulha

Minha garganta carece
De água ou aguardente, não sei
Minha voz mente
Quando não está rouca
Quando não está louca

Ah, esses pingos de chuva
Que borrifados me afogam
Banhando-me a face, os óculos,
Por todas as direções
Minha cegueira torpe

Meu Deus eu queria cair
Num bueiro que me tragasse
E me levasse direto pro mar
Eu queria navegar
Disperso numa queda sem fim
Nas águas de mil Iguaçus
Nas espumas brancas do céu

Meu peito carece de ar quente
E gelado arfa, não sente
Que a fumaça se agarra nos pulmões
Com unhas e dentes

Meus ossos, esses meus dentes
Tiritam e fraturados
Chacoalham carentes de cálcio
Meu dentes mastigam minha própria língua

Por onde andarão minhas pernas?
Que caminhos? Que vielas?
Restará joelho ou canela pros cacetes que vou levar?

Ah, eu queria me lançar no escuro
De um poço que o fundo é surpresa
Cair sem pressa nem dor
E parar além de Bojador
É a luz de que saio e me esqueço
As cores sem cor desse Abril

Frio

Minha cabeça está vazando
Um líquido viscoso irreal
É o nada que nos enche
É o tudo virtual
Que não mais é comportado
Na caixa craniana
Que expele charcos fantasmagóricos
Em pura febre, fantasia
Esse mundo da mercadoria
Essa pena tácita que nos é imposta
Essa chuva ácida que nos corrói a vida

Sem água
Sem nada
Sem tudo
A morte chegou

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Aquela Gente Nossa

Aquela gente toda continua
A ir direto até a cova
Vai olhando para a face da lua
Lua que está sempre nova

Em febre alucinante compulsiva
No cair da chuva ácida
Vai consumindo a coisa remissiva
Esquecendo a pena tácita

Ao grande sofrimento desse nada
Adeus! Apenas comprar
Vai vagando tal qual alma penada
Em novena de gastar

Aquela gente toda continua
A louvar a fantasia
Vai se transvestindo mas resta nua
No além da mercadoria

Nossa gente repousa fria
Repousa tardia
Repousa muda

É hora da alforria
É hora da luta

domingo, 14 de março de 2010

Conta-gota

Gota um
Gota dois
Monótomo metrônomo
E o eco que vem depois

Gota um
Gota mil
Vai-se enchendo o poço
Que um dia já foi vazio

Gota gota
Perdi a conta
O conta-gotas
Que media meu tempo
A água que caia compassada
Num largo lento
Águas passadas

Agora que as gotas que contara
Não significam mais planejamento
Será que perder a conta foi a perda do tempo?

O número foi-se embora em meu pensamento
Mas o poço vai-se enchendo
Até o dia do afogamento
Não perdi a gota, perdi foi tempo

Agora que toda gota caiu em desalento
Eu espero o dia todo
Pela gota de cimento
Pela terra de fermento
Pelo fim da gota
Pelo fim dos tempos

sexta-feira, 5 de março de 2010

Acalantarei

sinto sono
grande sono de tudo
sono do mundo
bocejo fundo
cabeça pesada

é o sono da noite
que acorda durante o dia
que arrasta a madrugada
em grande melancolia
pesadelo que confunde
é a vida
é a vida

sinto sono
grande sono de dia
queria dormir toda a tarde
toda manhã
ter sonhos em plena consciência
olho caindo
cabeça pesada
linhas se desvaindo

é o sono de sentir medo
é o sonho de estar ali
é o medo de dormir
é o sentir
é o pisquei já passou
já acordei
devaneios do meio-dia
pesadelos
passam pela janela
passam pela rua
passam pelos entornos da Santos Andrade

sonhos nefastos de promiscuidade
pesadelos de terno-e-gravata
olho caindo
cabeça pesada
basta de vida
quero sonhar

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Poema com o Hugo finalizado - http://rotineiroambulante.blogspot.com/

quero não me ver mais,
poder acordar e saber que inexisto
mergulhar em mares sem sais
e queimar tudo que visto
e queimar tudo que assisto
e queimar tudo que insisto


se ao menos tivesse eu visto
o que esse fogo fátuo traz
se queimasse esse misto
de pedras e gelo e sais
se tivesse me dito
queimado mais
queimado tudo que existo
se eu resistisse à amnésia, à apnéia, ao fogaréu
haveria de queimar tudo que é céu?
haveria queimado o que resisto?

ou afogaria minh'alma em papel
acalmando o incêndio de riscos
tortuosos que incriminam o réu
que pôs fogo nas lendas que invisto?
o querer é não me ver mais,
esquecer meu coração-cisto,
abismo que engole e desfaz
o viver que me era benquisto.
mas se o fogo consumirá o que é céu
queimará também o que é chão
não é esse o desejo infiel?
não é isso que implora a razão?

talvez essas chamas chamem por Cristo
e incendeiem os campos dos céus.
que sou eu? sou um cisco,
sou um confesso revel
que quebra os princípios,
sou o que não merece, ímpio,
que está destinado ao inferno, ao abismo,
mas não entende nada disto
o que consome esse fausto fogo eterno?
o que consome esse fátuo fogo interno?

o que distorço ou o que revelo?

sou furor em chama nascente
(preso ao bolso ou ao colo materno?)
sou o clamor de um povo descrente.
que sou eu? um confesso enfaro.
acordado. sabendo que existo
mergulhado em rios salgados
e enforcado por tudo que visto
e aleijado por tudo que assisto
e humilhado por tudo que insisto.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Re-Resposta ao Hugo (por favor camarada, veja aí, talvez dê pra terminar)

http://rotineiroambulante.blogspot.com/

quero não me ver mais,
poder acordar e saber que inexisto
mergulhar em mares sem sais
e queimar tudo que visto
e queimar tudo que assisto
e queimar tudo que insisto


se ao menos tivesse eu visto
o que esse fogo fátuo traz
se queimasse esse misto
de pedras e gelo e sais
se tivesse me dito
queimado mais
queimado tudo que existo
se eu resistisse à amnésia, à apnéia, ao fogaréu
haveria de queimar tudo que é céu?
haveria queimado o que resisto?

ou afogaria minh'alma em papel
acalmando o incêndio de riscos
tortuosos que incriminam o réu
que pôs fogo nas lendas que invisto?
o querer é não me ver mais,
esquecer meu coração cisto,
preamar que engole e não traz
o amor que me era benquisto.
mas se o fogo consumirá o que é céu
queimará também o que é chão
não é esse o desejo infiel?
não é isso que implora a razão?


talvez essas chamas chamem por Cristo
e incendeiem os campos dos céus.
que sou eu? sou um cisco,
sou um confessso revel
que quebra os princípios,
sou o que não merece, ímpio,
que está destinado ao inferno, ao abismo,
mas não entende nada disto
o que consome esse fausto fogo eterno?
o que consome esse fátuo fogo interno?



segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Resposta ao Hugo (por favor camarada, continue)

http://rotineiroambulante.blogspot.com

quero não me ver mais,
poder acordar e saber que inexisto
mergulhar em mares sem sais
e queimar tudo que visto
e queimar tudo que assisto
e queimar tudo que insisto

se ao menos tivesse eu visto
o que esse fogo fátuo traz
se queimasse esse misto
de pedras e gelo e sais
se tivesse me dito
queimado mais
queimado tudo que existo
se eu resistisse à amnésia, à apnéia, ao fogaréu
haveria de queimar tudo que é céu?
haveria queimado o que resisto?

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Voa Tempo Voa

Tanto tempo se passou
Em tão pouco tempo
Tantas palavras
Em tão poucas frases
Quantos pensamentos
Grandes momentos
Movimentos
Não ficou nada

As mesmas mãos que acariciaram
Faces, cinturas e glúteos
Também madeiras e nylon
Agora repousam vazias
Repousam tardias
Nuas e tristonhas

Segurando canetas como fossem penas
Refletem

Quanto tempo nesse mês pequeno
Pequeno Janeiro
Menor Fevereiro
Parece final e ainda estamos no meio
O Sol que desponta no norte
Aqui não tem vez
Não me toca nem roça as faces
Nem me faz suar
O Sol não envelhece no sul

Tanto tempo se passou
Desde tão pouco tempo atrás
Pisquei
E os dias ficaram para trás
E as horas de êxtase se tornaram um breve sonho
Uma sombra
A satisfação de uma necessidade só criou outra necessidade
Mais forte
Mais sede
Mais fome

O tempo passa
O tempo some
Mas a desgraça
É a fumaça que nos come

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Acredito que há
outros tipos de vida.
Destino não há,
não importa o que digas.
Deus? Não existe,
Quem faz são pessoas,
Também quem resiste,
'Inda que doa.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Ao Camarada Valmor

Coração, bandeira,
Também pé, vermelhos.

Pela vida inteira
Caminhou parelho
Co'a vida primeira,
Enxergou no espelho
Os ricos burgueses
E também os pobres,
E sentiu por estes
Sentimento nobre,
Desespero, às vezes.

Aquele que cobre
De muitos cuidados
Todos os parceiros
Que estão do seu lado,
Caminha certeiro,
Refaz o legado
Destes companheiros:
Leon, Vladimir
Ernesto Guevara,
Rosa, Ho Chi Minh,
Fidel, Victor Jara,
Todos que hão de vir,
A lista não pára.

Do sul mas do norte,
Saiu coerente
Do partido forte,
Agora presente
Num de outro porte,
Muito diferente -
Partido do Sol,
Socialismo vivo,
Liberdade em prol
Do pobre cativo.
Ele entrou no PSOL,
Foi no alternativo.

Tudo que aprendera
Em sua militância,
Luta verdadeira,
Longe da ganância,
Agora prendera-se
Na asa da mudança.

Na luta constante,
Veio do Centro Che,
Sua vinda garante
Um grupo que lê
E que é militante.

“Pátria livre, tchê!”

Gaúcho o trejeito,
É veterinário,
E cuida de um jeito
Grande, humanitário,
Com tal sentimento
Revolucionário
Dos bichos, dos homens,
Mulheres, amigos.

Do dinheiro os fortes
São seus inimigos.
Lembra-se dos nomes,
Sabe dos perigos.

Ele é a unidade,
Ao lado de Plínio,
Tem muita vontade,
Político exímio.
A desigualdade,
Sem ser retilínio
Em seu pensamento,
Sabe onde encontrá-la.

Chegou o momento!
Já vamos saudá-la,
Potente fermento,
Gritá-la, Chamá-la,
Jogar pelo vento
Cantá-la, aclamá-la
Unir o cimento,
Lançá-la, incitá-la
Chegou o momento!
Vamos exaltá-la!

Pré-candidatura
Do caro Valmor,
Com muita ternura,
Também com amor,
No PSOL fulgura
Um grande valor.

Valmor Venturini
Pra governador!

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Transições

Achava que estava
Num vórtice insano
Num vôo sem asa
Num sonho cigano

Mas era tudo mentira
Tudo fumaça entre os dedos
Tremedeira, fome, medo
Era tudo mentira
Era tudo segredo

Foi bom enquanto durou
Boa noite agora, durma bem
Mas nem durou tanto assim
Durou para mim
Tanto faz
Minhas intensões são banais
Como as mesmas de sempre
Como assim?
Tudo bem?
Tudo vai
Nada vem
Amanhã, mês que vem
Mês que vem
Mês que vem

Por quantas São Paulos
Litorais longínquos
Feridas e calos
Cearás infindos mais?

São sonhos banais
São sombras de galhos
Segredos, silêncio
Semanas e semanas
São sonhos de galhos
Sombras banais
Desejos de bacanais
Semanas - frangalhos
São Paulos
Semanas

domingo, 17 de janeiro de 2010

Eu tenho muito medo do meu medo
E temer o medo é o próprio medo

Tudo errado
Faço tudo errado
Como um erro involuntário
Uma maldição

Chove, nuvem de pavor
Com raios e trovões
Com sujeiras e canivetes
São os pingos do ar condicionado
Que precipita a sujeira de mil ácaros
Em cima da minha cabeça

Não tenho medo da morte
Nem tenho medo da vida
Só não quero me olhar sozinho
No retrato do cemitério
No espelho do meu caminho
No desdém de cada vizinho
No silêncio do monastério

Prefiro acabar com o mistério:
Tenho muito medo da solidão!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Carmim

Sou o mesmo que era antes
Exceto por esse sabor

Baton da cor do vinho
Vinho sabor baton

Apenas sei que é roxa
Toda essa confusão
De mordidas e palavrões
Gestos e cigarros
De perguntas e sensações
Salivas e escarros

Sou o mesmo que sempre fui
Só que agora embriagado
Bebido e tragado
Sou eu mesmo devorado

domingo, 3 de janeiro de 2010

A Rua da Amargura

Eu nunca me arrependi
Nunca me conformei ou tomei cuidados
Apenas não olhei pros dois lados
Antes de atravessá-la