segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Odisséia

A tecnologia nos desune
Enquanto os olhos choram
As palavras punem
Esse plasma é a esfinge de nossa era

A técnica nos desnuda
Porém não nos tira a verdade do tom
Qual é a tênue mentira
Ocultada atrás da cortina de teflon?

Será a vida? O grande amor? A sorte?
Talvez a face branca da morte
Talvez uns olhos de amêndoa
Da Cleópatra mais forte que há
Que dobra os homens como dois buracos negros
Como a maré puxa de volta o mar ressacado

A tecnologia nos desune
Quanto mais eu penso em você
Mais você some e o tempo me pune

Até amanhã, ao ano que vem, daqui um mês quem sabe
Tomara que os dias não ceguem o fio da navalha
Que as palavras não se percam esquecidas
Os livros deixados de lado
Beijos arrependidos
Não!

Enquanto a técnica nos ataca
As palavras são única saída
Ítaca
Palavras

Um comentário:

Hugo Simões disse...

muito bom yuri! feliz ano novo!