sábado, 24 de outubro de 2009

A Virgem Pequeno-Burguesa

Ela que está em todos os lugares
Não se sente digna a dizer nada
E prefere ficar sozinha
A não ser que algum bruto lhe puxe pelos cabelos

Ela não fala nada
Não faz nada
Não acredita no que diz
Mas também no que sequer pronuncia
Porque é a mulher do nadanunca

Ser amada não significa nada pra ela
Significa mais fingir que alguém lhe gosta
Fingir que já é mulher
Mentir pra si mesma em silêncio
Sempre em silêncio
E velar sua virgindade como um segredo
Segredo público e notório

Ela vive nas superfícies da terra
E desperdiça sua beleza
Muda
Como uma pedra
Ela não pára de cair
Ela não pára de rir
Da minha cara
Sem saber que eu choro por sua vida mesquinha
Tentando entender o porque desse sentimento

domingo, 11 de outubro de 2009

Se Oriente

1

É o ar poluído da cidade
Que se esquece do branco
Fluindo como um líquido
Por todas as células
---------Órgãos
--------------------E organismos

É a aguardente que se esquecera
Da bica do bico e
----------Saliva

Despertar no Leste

Eu acordo semi-afogado
Um punhado de terra a mais
Cada dia na campa cai
Eu acordo semi-afogado

Esses olhos semi-cerrados
São cantados em tantos ais
Oriente que não me sai
Esses olhos semi-cerrados

Morde os lábios semi-molhados
Que beijados por vezes mais
Salgados com mais de mil sais
Morde os lábios semi-molhados

Afogarei minha terra do peito
Despertarei esses olhos do leste
Morde esses lábios umedecidos
Oriente que não mais me sai
Esse oriente ensandecido
Um punhado de terra a mais