terça-feira, 30 de junho de 2009

Ide, rosa linda!

Minha primeira tradução, sem nenhuma pretensão, mas eu gostei...


Ide, rosa linda!
Contais que perdeis tempo, e mim,
Que ela sabe 'inda,
Ao compará-la a vós assim,
Sê doce e bela qual carmim.

Dizeis que é moça,
E evita expostas graças ter,
Que desabrocha
N'ermos sem ninguém a se ver,
Tem de inexortada morrer.

Pouco se importa
Beleza da luz retirada:
Lançai-la ao norte,
Sofrendo-se a ser cobiçada,
e não corar, admirada.

Daí morreis! Que ela
Das coisas raras comum fado
Possa em vós lê-la
Quão pouco tempo divisado
Que são tão doces, quanto belas!


Ou em segunda pessoa singular


Vai, rosa linda!
Contas que perdes tempo, e mim,
Que ela sabe 'inda,
Ao compará-la a ti assim,
Sê doce e bela qual carmim.

Dizes que é moça,
E evita expostas graças ter,
Que desabrochas
N'ermos sem ninguém a se ver,
Tem de inexortada morrer.

Pouco se importa
Beleza da luz retirada:
Lânça-la de norte,
Sofrendo-se a ser cobiçada,
e não corar, admirada.

Daí morre! Que ela
Das coisas raras comum fado
Possa em ti lê-la
Quão pouco tempo divisado
Que são tão doces, quanto belas!

sábado, 27 de junho de 2009

Go, Lovely Rose!

Pela primeira vez posto neste blog um poema que não é meu, este é de Edmund Waller,
é um poema muito bonito

Go, Lovely Rose!
by Edmund Waller

Go, lovely rose!
Tell her that wastes her time, and me,
That now she knows,
When I resemble her to thee,
How sweet and fair she seems to be.


Tell her that's young,
And shuns to have her graces spied,
That hadst thou sprung
In deserts where no men abide,
Thou must have uncommended died.


Small is the worth
Of beauty from the light retired:
Bid her come forth,
Suffer her self to be desired,
And not blush so to be admired.


Then die! that she
The common fate of all things rare
May read in thee
How small a part of time they share
That are so wondrous sweet, and fair!

O Fim da História

Não quero soar repetitivo
Nem na forma
E muito menos
No conteúdo

Mas
Apesar de eu ter uma visão materialista da vida
A vida insiste
Em ter uma visão pós-moderna de mim

A história que se repete
A história que se acabou
A história líquida
que escorre pelos dedos

Somente a minha história
Que é cheia de muros
Serei eu mesmo um outsider?

E porque
Explorado como um operário
Não consigo reagir
Nem me organizar
Nem escapar da inefável derrota?

A primeira reforma
Totalmente vazia de tudo
Zombou de mim
Tinha que ser assim
Sem vontade
Sem verdade

E permaneço escrevendo
Anacoluticamente
Mentiras pra mim mesmo
Sob o jazz da vitrola
Digitando
(não pode haver coisa mais artificial)
Degolando...

O problema é que continuo
É que continua
Não olharei mais pra nada
O partido
A bandeira
Não
Fecharei meus olhos
Porque não adianta
A ausência
Ninguém sente

Ninguém

sábado, 20 de junho de 2009

Se Oriente

5

Mil e uma noites atrás
Eu estava Confúcio
Aprendia sem pensar
Moderava-me e perdia
Via o bem e não fazia

Mas agora é diferente
Os mil caminhos traçados
Nestes teus lábios molhados
Nessa tua língua delgada

Os olhos agora se eclipsaram
É lua nova no céu

A tartaruga negra lá em cima me falou
“Era tempo de guerra
Sem dó – sem perdão
Passo por passo as estrelas caem
Em sua própria escuridão”

O pássaro vermelho desceu
“Vida vida, quanto tempo temos ainda?
Nesse mar de ilhas
Eu só vejo as espadas de sangue
Eu só vivo a paixão dos assassinatos”

O dragão azul enterneceu-se
“Chorando do céu negro da noite
É hora é hora
É tempo de guerra
Mas é tempo de vitória”


E o tigre branco se calou
Afiou as garras
E ordenou com dois gestos

Que o sol nasça por favor!

sábado, 6 de junho de 2009