domingo, 24 de maio de 2009

Novamente ou exercício de rima e métrica 2

Novamente eu falava
Chamava-te sozinho
E tu nada dizias
Seguias teu caminho

Passavas sem palavras
Calavas meu olhar
Que tímido caía
Temia te amar

No cabelo flor branca
Que franca qual formosa
Trazia um quê sensual
Fatal e poderosa

Ao tocar minha mão
Em vão na tua pele
Trazia uma mensagem
Coragem se revele

Mas eu ‘inda soturno
Noturno a esta ternura
Caí num desengano
Secando a formosura

Qual samba assim me calo
Não falo e tudo penso
Eu quero-te ao meu lado
E o fado passa lento

O Nosso Hoje Em Dia

O nosso hoje em dia

É tão externo a mim

Que não entendo espelho

E me sinto um indivíduo


Estou cansado desse egoísmo


As lágrimas são geadas

Que orvalham minha face

Toda manhã, toda existência

E seu peso quebra meus pulmões


E eu não choro nem respiro

Nem espero nem encerro

Nem espirro nem gripe


O nosso hoje em dia

É outro que não sei

É boa noite

E tudo bem?

Tudo mal

Como a fruta comida verde

O prédio que moramos

Sem pintura

A rua vazia


São outras pedras no meio dos caminhos

Pedras de crack

São outros céus que divisam dia e noite

Céus vermelhos


O nosso hoje

Mantém-se dia

Em nós somos noite

Que precisa ser orvalhada

Mas só a manhã poderá ter um sol

Vermelho


O nosso hoje em dia é apenas mais um dia

Mas o nosso amanhã...

terça-feira, 12 de maio de 2009

Ponto no céu d’Andrade e Seus Bancos

A tantos mil pés acima do solo
Refugia-se, em asas na torrente,
De eixos criminosos com culpa e dolo,
De penas e bicos cheios de dentes.

A enxaqueca ignora o que há além dela,
Qualquer ave que só procura aviões,
Mas olha pro céu por meio da pedra
Depois de acordar do banco em visões.

Todos os bancos estão ocupados.
Todas as pombas já comem migalhas.
Crimes profanos se livram no azul.

Mas perde a vista o olho arregalado,
O ponto já despenca da batalha,
As noites do norte acordam no sul.