segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

No Exílio

Minha terra tem araucárias onde o joão-de-barro faz sua casinha

E o sabiá fica na jabuticabeira e na grama com as rolinhas

E não canta nada

Porque é macho


Minha terra tem bandeiras e tempestades soberbas

Que se vão como chegam

Tremulando se perdem

Qual poeira


Minha terra tem cheiro inconfundível

De terra remexida

Que não sinto faz alguns anos

Assim como o recém-morrido capim


As gramíneas daqui

Não cheiram como lá

O perfume da terra

Virada a machado

E a mão cheia de calos


Minha terra tem enxadas onde lavra o caboclo

E suas mãos machucadas ainda fazem um esforço

Pra bater num pandeiro


Se não tivesse pandeiro

Talvez não tinha enxada também

Mas aí

Minha terra teria palmeiras

Onde canta o sabiá...

Curitiba, dezembro de 2008

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