quinta-feira, 7 de agosto de 2008

A Janela Abandonada



Pra onde se vai em busca do nada?
Tudo o que queremos é não

Tem uma janela abandonada
E é apenas ela que foi deixada de lado

Caminhamos silenciosamente em direção a ela
Naquela casa diferente
A qual repito - não está abandonada por inteiro

É triste olhar pro que resta de uma janela
Dava pra ver o mar e o horizonte azul
Quando chovesse devia ser terrivelmente maravilhoso

As paredes depredadas e charmosas
São parte constituinte da liberdade
Vamos pichar o concreto inteiro da cidade - os tribunais, a faculdade, o shopping

Aquela janela abandonada
Não dá pra nada
E é esse nada que eu busco que eu amo que eu desejo

Caminhamos como de mãos dadas
Vocês podem ver
Como o fim une

A finalidade pode ser
Um início de ausência
Nossos pés são guiados até o fatídico quadrado

Nesse portal enlouquecido
Ouve-se um brado - presta atenção

...................silêncio absoluto...................

Sentia-se cada passo
Como um compasso
E a água murmurava segredos pra quem entende

Não vou contar nenhum
Por decoro e sabedoria
Os meus segredos murmurados entre as quadro paredes depredadas
Foram todos revelados
Ou serão
No momento em que da janela poderei ver
Um verde-mar diferente

Um comentário:

Anônimo disse...

Brado do náufrago

vejo ainda o nobre
meu inesquecido ainda amigo
cabelo de cobre