quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Dezenova

Minha estrela brilha mais uma vez
Se ao menos conseguisse ver o céu
A fumaça e a luz artificial...

O Sol
Carregou-me em seu colo de ouro
Por mais um ciclo
Sua órbita solitária e etéria se alterou

As coisas não parecem terminar
A névoa desvela o que o olho insiste em acreditar:
Não há limites entre tudo
Como se fossemos uma só existência se movendo

Nessa décima-nona estação aduaneira do universo
Eu me sinto mais uno
Do que verso

Nesses dezoito caminhos
Revi os anos de infância como um homem
Mas nunca fui um homem
Não sou um homem

Nem criança
Nem jovem

Sou o polo norte no inverno

Mas nada tem fim
A findura do que sinto
É o começo do que vem

Sou homem
Também

E se o cosmos conspirar a meu propósito
Serei enfim
A orgânica parte
De algo maior

Serei o agricultor
Serei Pedro Pomar
Serei Bolivar
Serei João ninguém
Serei Vinícius e Tom
Serei Leminski
Serei você
Que me ama e eu não sei
Serei ela
Que eu amo
E
Se o rei do espaço
Tem rainha
E se tem uma princesa africana no Brasil

Eu reivindico minha descendência:
- Sou filho de professor, de operário, de camponês
E por isso sou rei do universo
E você também

Mundo cruel
Mundo injusto
Pro inferno essa vontade de chorar

O infinito não passa de um oito deitado
8 do 8 do 8

Realmente
As coisas não acabam
Por isso esse poema não tem fim

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