terça-feira, 15 de julho de 2008

Metalinguagem

eu tento falar da minha vida
e se eu tentasse falar com rima?



nem curto essas idéia de
poetinha da mamãe

sou um filinho da mamãe
isso já o bastante

pelo menos no papel
quero mandar tudo à merda
ser um super-homem

falar caralho
merda
buceta

que otário

não dá pra chamar isso aqui de poema

senão podería escrever em ###§§§°º☺☻☺☻

não

faz tempo que privada virou arte
ninguém mais se choca com nada

mas se eu conseguir fazer a folha
virar alguma coisa digital
diminuir de tamanho
interagir!

haha

como se a palavra
não fosse intersubjetividade
mútua

mas o poema tem que ser curto
e tem que falar:

(que rufem os tambores
tum tum tum tttttttutmttmtum)

- vagina

e uma mulher com uma boina
um bongô
uma roupa estranha
começa a dançar e gritar como louca

e o que que eu faço com a porra do soneto alexandrino que eu fiz?

nada
eu nunca fiz coisa assim

poesia de verdade

é repente

por isso eu repinto

piada também é poema

e que coisa

ninguém nunca compra!

Escritório

Estou sentado no meu escritório
Longe de aconchegante
Traz nada de inspiração

Noutro tempo
Noutro escritório
Fazia uma petição
Inicial

Era só mudar os nomes
O juiz
A data
A vara
Pronto
Tava lá se fodendo mais uma empregada

E tudo
Porque me inspirava
No mármore do escritório

Hoje não
Nem água
Nem pão
Mas preservei um pouco meu peito
Do remorso

Estou ao lado de um toca-discos
E tenho alguns vinis antigos
Tenho um violãozinho
E uma janela que dá pra mil vizinhos (nenhum vizinho)

Naquelas eras minimalistas
Saía de noite
E me entristecia
Imensamente

Passava por barraquinhas que vendiam quentão

E o frio que fazia

As tardes de hoje parecem vazias
Mas antes só
Do que mal acompanhado

Aquele escritório
De divocacia

Mais parecia

Uma segunda cadeia
Do oitavo patamar

Mas ali eu era carcereiro
E tratava tudo com falsidade

aaaaaaaaaaaa Não eram pessoas
aaaaaaaaaaaa Eram papéis

aaaaaaaaaaaa Não era exploração
aaaaaaaaaaaa Era processo

aaaaaaaaaaaa Não era chifre em cabeça de cavalo
aaaaaaaaaaaa Era pesquisa de jurisprudência

E agora eu sentado sozinho
aaaaaaaaaaaa Pra variar
Escrevo essas histórias
De pessoas automáticas

Musico poemas cafajestes

Absorvo milhões de musicas
Roubadas da internet

Neste escritório
De desvocacia

É que eu me deparo
Com meu fantasma apagado

Nada vivo
Mas ao menos
Um morto arrependido
Que espera no purgatório
Quem sabe

Quando eu tiver meu próprio
Mas aí não se chamara mais escritório

A Luz Está do Lado de Fora

domingo, 13 de julho de 2008

Último Dia

Eu tenho nojo
Daquele olhar idiota
Daquele cara pentelho

Eu odeio

Segurança na voz
Jeito de homem pra caçar

E eu era uma estátua
Como o Rui Barbosa da Santos Andrade

Um dia eu vi um cara mijando
Alí
No meio da praça

sábado, 12 de julho de 2008

Retalhos Brasileiros

O Boi

As pedras sentem
Os pesos dos pés
E dos tamancos
De madeira
E do fandango
Parnanguara

Mas nas vielas dessa menina

Raramente ouve-se um sino

Ouve-se mais tambores

A perna sacode
Ao som ritmado
Oxum responde
No mar ressacado

Barreado

Barroso

O boi zangado
Agora é palha
Mas desfila vistoso
E morre no fundo do mar

Tudo se resume num trapiche dourado

Que encerra o portal mágico

Que leva ao castelo submarino

Do rei esquecido de Portugal

Onde as fitas esvoaçam
Tem maracatu

Onde dorme o boi fantástico
Tem côco

Onde a nêga dança em febre
Tem maxixe

Onde eu durmo
Não tem não