terça-feira, 24 de junho de 2008

semente

Eu como todas as sementes
Não dá mais
É uma angústia
Sem fim
Sem cerejas

Estou à beira de uma catástrofe
E somente tu podes me matar
Porque desacredito todas as profecias
E tu me dizes que desistes

Eu como todas as sementes
E dentro da minha cavidade abdominal
Nasce uma árvore medonha
Que dilacera meu corpo
Que rouba minha alma
Pra crescer e se tornar um tronco podre e negro

Não vivo
Nem sou feliz
Portanto nem existo
Apenas choro
Amei tanto

E não desaprendi a escorrer pelas ruas sozinho

Eu só me infernizo
E tua fantasia
Me faz encolher cada dia mais

Meu peito dói muito
E minha desesperança me comove
Me move para o buraco sem fim
Meu passado
Não quero revivê-lo
Quero esquecer
Meu presente maldito
Minha estrada malfadada

E tu me fazes um desgraçado
Um idiota
Que não acredita em nada
Tudo perde a graça
Eu te quero
Eu te amo
Mas não é só dúvida
É também
Um vômito que leva junto
Todo meu corpo pra privada imunda
Do inferno

Dói
Mas uma dor que não acontece
Não aconteceu

Por favor
Deus
Anjos
Ciência
Qualquer coisa
Eu preciso
Ou morrer
Ou cantar

Eu só choro e me espanto
Te espanto
E meu pranto
Só te faz ter pena
E ir pra casa sozinha
Sem nem sequer dizer adeus
Enquanto eu me jogo de todas as janelas
Ainda me dizem que meu caminho me leva pra ti
E a coisa que eu mais queria era acreditar
Mas não dá
Eu não consigo
Eu só me finjo de vivo
Pra não me enterrarem de uma vez
Eu só não quero ser enterrado
Porque
Não sei

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