segunda-feira, 16 de junho de 2008

A Deus

a
Eu nunca vi a láctea
Olho pra cima com ressalva
Pois temo ver de novo o cinturão
Depois de anos esquecido
Foges de mim

Como as borboletas
São tão lindas
Quem me dera
Em casa minha
Nem mariposa se presa
E meu peito se entesa

Mas a flecha preparada
Não se desprende
E os ventos não rasga
E a perpétua madrugada
É clara e solitária

Se minha cama falasse...
Nem te conto
Tanta coisa
Que até me escondo
Se meu travesseiro mentisse
Eu saía matando

Quem será o avesso de mim?
Meu oposto dialético
A vida espera
O arco enverga
Mas vai que algo chega e corta
Quem sabe o diabo me carrega
Quem sabe Deus
Quem sabe um anjo me ferra

Sei que o céu cairá
E eu permanecerei sombra na terra
Uma vez que não sei voar
Uma vez que a vida me nega

Sei que a borboleta voará
Pra se congelar num inverno
E a flecha perfurará
O coração o pulso
E a cama m’engulirá
E Deus vai me falar

Havia láctea

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