quinta-feira, 19 de junho de 2008

A Caverna

O disco apenas toca porque roda
A lua quando beija a terra
Apenas o faz pra se esconder do sol

Tu me afastas porque isso é moda
Como guerra que vem da Espanha
Só por raiva de Portugal

Eu vi na terra uma cratera imensa
Quando um homem distraído
Arrebenta-se no chão e cai
Até hoje se pode ouvir seu grito

Eu vi esse sumidouro/espelho
E caí desesperado em desatino
Quando passa o tempo dilatado
O berro abafado se cala
Pois o eco retardado reverbera
Reverbera

O vento que atrasa a queda
É ele quem te fere a pele
É ele quem te faz surdo e mudo
E te congela de frio maldito
Mas traz um ribombar inaudito
Como o grito de todos os mortos
Que morrem de fome
Antes de tocar o chão

É essa escuridão
Cada vez mais clara
Tão clara que os olhos
Involuntariamente se fecham
Mas as pálpebras queimadas
Derretem o negrume adiado

Nesse posso pestilento
Leito dos moribundos
Eu posarei irremediavelmente
Cantarei cantigas dementes
E ficarei louco
Rodarei como um disco
E a agulha do teu peito me tocará
A lua cheia se esconde de mim
Mas o sol novamente não me alcança

Por que ruas de pedra tu caminhas?

Choro as minhas penas
Choro como um pássaro que cai no posso obscuro
Da saudade
Do futuro
Choro com todas as minhas moléculas
Choro as tristes dores de um idiota

Por que eu vejo nessa tua cara
Toda essa infindável Caverna?

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