domingo, 26 de janeiro de 2014

Orfanato

Oh, pai que se desgarra do filho
que sai antes mesmo de abotoar as calças
que vai comprar cigarros
que, ao invés de serem fumados, o fumam

As mães nunca se desprendem dos filhos
que lhe pendem das tetas
mordendo-lhes os bicos dos seios cheios de estrias
mães que saíram da Bahia pra nunca mais voltar

Oh, filhos do esperma espremido
bandidos aos herdeiros de nome
banidos das carteiras de identidades
balidos acadêmicos das psicólogas do educandário

Mas o pai que se desgarra do filho
deixa pra trás mais que a sombra ausente vazia
Com uma das mãos agarra o destino
e com a outra nega o auxílio
provocando a tentação
Diabo!
quem deixa à morte seu filho é sagrado
que ao tinhoso previne ou entrega

Deus não é louvado porque largou seu rebento à merda?

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Ser Só

Ser só é um caminhar alienado
Dos passos que pisaram camaradas,
Das grades que prenderam condenados;
Das marcas que deixaram as granadas.

Tudo que aqui se faz aqui se sente,
Tudo no mundo, terra de ninguém,
Pra onde tudo vai, donde tudo vem,
É dirigido pela ação da gente.

Sozinhos somos um de cada vez.
Um grito tímido que nunca sai
Do plano das ideias, da vontade.

Sozinhos, só dizemos sim às leis,
À igreja, à pátria e a nossos pais.
É hora de juntarmos as metades!

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Caçada

A seta do cupido
            Acerta em cheio minha libido aceta
     A meta do cuspido traço
É o vaso dessa dor que veta
O meu mote em reta linha
É que meu peito azeda todo amor que é flecha

O arco que se entesa
      Quebra
Eis a morte do Eros vil intento
      Meros ventos
            Desguiaram
O que visava o arco atento

Nego o choro patético dos pares
      Que se explodam as flores
            Que se afoguem nos mares
Essas drogas de amores

Mas
      Audaz
A mira das deidades nunca é falha
      Como a folha
             Precisa
      Só cai depois de seca
Após o reto tiro
      Fincado em minha alma
             O alvo-de-mim se atira
Na armadilha como a tola caça

sábado, 10 de agosto de 2013

Sexo dos Outros (II)

reformulação do soneto:


Frutificai-vos e multiplicai-vos.
Nesta terra de Amores, neste Éden,
Nada mais justo que colher os frutos
Que pedem nossa carne e fantasia.

Sex Shop, Peep Show, com salas exclusivas.
Lady Gaga. Entrevista na Playboy.
Estupro pay per view no BBB.
Redtube, Sex and the City na TV.

A feira do pornô está montada!
Impossível, porém, o seu produto,
Do que compro, pro meu consumo é nada.
Meu gozo só reflete dos atores
O coito que é fingido, impróprio, estulto.

E minha cama? Segue esvaziada.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Se surreal fosse o poema
Inventaria um fonema novo
Pra organizar como um matema
A desordem do real

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Devaneio Erótico

Impossível gravidade
Não escapo dos teus olhos
Uma ponte do Brooklin
Se constrói em nossos orbes
      Atravessar a ponte suspensa
      Romper-te as grades da etiqueta
Despir-te
      Premeditada e estrategicamente
Meter-te a língua aos dentes
E
      Quente
              Mordiscar-te o queixo
Ao pé do ouvido
      Aspirar teu cheiro
Sugar-te os seios e os mamilos duros
Beijar-te leve o ventre arrepiado
      Como se de gelo fosse a tua pele
Soprar-te
      A flor molhada
A tua mão cravada em minha nuca
Puxas meus cabelos num delírio

A mente que media e raciocina
     Pára
Agora só há os corpos
     Os sentidos
Famintos
     De ruídos
               De odores
                       De texturas
     Paladares

No fundo dos teus olhos
O fundo da tua carne