segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Postado por Yuri Campagnaro às 18:47 0 comentários
Vergonha
O coruja abria o olhão no canto escuro
Via tudo de soslaio
Se era hora
Vazava como um raio
Escorria pela Riachuelo
Desguiava a São Francisco
Cruz Machado
Conhecia por nome
Todas as mulheres e homens
Frequentadores das boites
Shows executivos
E as travestis que os machões fingem asco
Ele as tratava a trato fino
No respeito
Da fama das giletadas
Antártica era nove pila
A dose de Ypioca cara
As dançarinas ele observava
E bebia não muito
Cheirava
Vinte e cinco anos
Três de fim de noite
Raspa de tacho
Gato Preto
Olho vermelho
Nos botecos do centro velho
Você esquece que um dia o sol nasce
De cidadezinha
Interior paranaense
Aprendeu a ser homem na casinha
Aprendeu a beber de logo cedo
Família de doutor
Branquinho playboy
Esquece a sua classe
Num risco de pó
***
Código Civil
Domina suas partes
Geral, Família
Reais e Sucessões
Sabe seus caminhos
Controla sua arte
Seus professores
Seus coleguinhas
Mãos manicuradas
Cabelos de chapinha
Depois da Magna aula falsa
Golpes de café
Ar condicionado
No edifício do TJ
Atinge sua cota
Nota seus chefes
BMW no estacionamento
Decidem pelos outros
Pelo que não devem
Soltam, prendem
Sentenciam, matam
-- A vida não é fácil pra juiz.
Se fosse fácil era difícil
É muito mais fácil que isso
***
Não vê a hora de bater seu ponto
Acaba-se a jornada
O mundo vira de cabeça pra baixo
O céu escuro vira chão
O mar vira sertão
E as cortinas de veludo verde
Escondem outro mundo mais vivo
Roberto Carlos na jukebox
Rolmops
Sinuca
Damas da vida
Bebida
Fumo
Sabe que vai ser roubado
Mas deseja que lhe toquem
A carteira
O bolso
O fundilho
Nada vem de graça
Essa vida sem futuro
Essa vida de fudido
Depois formado: vai ser advogado
Porta-de-cadeia defendendo bandido
-- Minha desgraça é um conto épico.
O dinheiro não vale a mesma coisa
No ambiente do subproletário
Pra que otário quer dinheiro mesmo?
À noite os gatos todos viram pardos
A dignidade vale mais na boite
Há mais honra e não há hipocrisia
Pra que juiz precisa de salário?
Pra que?
Mas ninguém imagina
Ninguém do seu trabalho
Da aula, da sua rotina
Que ele é um vagabundo covarde
Que nega sua origem de classe
Que finge não ser de classe média
Mas é
Negado pelos seus pares doutores
Sente-se aceito por seus feitores noturnos
Que ser cifrão de malandro
É melhor do que a amizade rasa
Dos merdunchos da pequena burguesia
Postado por Yuri Campagnaro às 07:45 0 comentários
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Romance (canção)
Qual foi minha surpresa ao descobrir
Que teus lábios nos meus lábios
Faz meu olho sorrir
Teu perfume proibido
Tua libido
Meu prazer
Nossos dias
Nossas noites de ousadia
Nos meus dedos sinto arder
E trago junto do meu peito
Mil segredos que evaporam
São meus poros que se abrem
E a fome que devoram
Enquanto a terra gira eu corro dos homens
E chego até a lua com medo de cair
O meu amor de olhos cor de grama
Tua saborosa fantasia não me engana
No travesseiro deito minha cabeça pesada
Sabendo que eu irei dormir com minha amada
Companheira tua brasa e teu pijama chinês
Tão rápido acaba a minha vez
Postado por Yuri Campagnaro às 19:15 0 comentários
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Peregrino Apaixonado 13 - Passionate Pilgrim 13
Retradução do Passionate Pilgrim 13 de Shakespeare
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Postado por Yuri Campagnaro às 20:03 0 comentários
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Voo da Borboleta
Dizem que do bater
De asas de uma borboleta
Uma borrasca resulta
No outro lado do planeta
Besteira
Este inseto de vida curta
É retrato reto
Do romance
E da sacanagem mais espúria
Raras voltas
Em primaveras únicas
Pousa leve
Pluma
Em minha palma trêmula
A borboleta multicolorida
Na beleza daquele átimo
Mônada de destreza instável
No ápice do desfrutar
Medo
Não voe embora
Não me deixe só a memória
De um instante que nem mais sei
Eis que fecho os dedos em pânico
Gaiola egoísta sem culpa
Meu desejo não conhece consciência
Seja lagarta seja pupa
Esperança chã
A mariposa escapa
Como tantos amores
E vai pulando
Entre as flores
Na flora
Em sua breve existência
De quarenta e oito horas
Só penso em suas cores
Miolo de larva coxa de pavão
Sua boca
Nectarina
Cuja poupa
No canto da boca
Lagrima
Seus olhos
Dragas
Sua pele de dunas
De finas areias
De lendas e praias
Seu organismo
Prostado
Derrubado
Como a estátua de Lênin
Em Petrogrado
Voou embora
Meu fim da história
E eu sei
Sei muito bem
Tenho certeza
Aonde este inseto asqueroso
Esta mosca nojenta
Aonde ela vai
Pra onde ela foje
Passou Antonina
O Oceano Atlântico
O Continente Africano
A península Arábica
Depois da Indonésia
Lá, nos confins
Nos mais longínquos dos ermos sem fim
A borboleta se foi
Pro outro lado do mundo
Agora
Ela bate suave
Com dolo
E malícia
Suas asas macias de inseto
Sabendo
Ao certo
O que me espera
Postado por Yuri Campagnaro às 18:25 0 comentários
domingo, 11 de novembro de 2012
Postado por Yuri Campagnaro às 16:43 0 comentários
domingo, 14 de outubro de 2012
O Rato Rico
Os ratos se rolam
De rir de você
Os ricos devoram as migalhas nos pratos
Nas latas de lixo, eles roem os pedaços
Ricos rateiam minutos na TV
Rico
Rato
Rico
Rato
O rei está pelado
Roma está em chamas
Ratazanas na TV
Postado por Yuri Campagnaro às 16:57 0 comentários
